um pouco mais sobre mim...

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Casada, escritora, com a alma rodeada de perguntas... Amo meu marido, minha família e meus animais de estimação. Sou um pouco ansiosa, gosto de tudo o que faz bem. Amo escrever... Isso faz de mim elo com os sentimentos que me consomem e que vagam por entre as pessoas. Sou uma pessoa extremamente intuitiva, que adora ouvir música (extremamente seletiva quanto a isso), que ama escrever, que faz do amor sua fonte de energia vital... Sempre!

sábado, 18 de maio de 2013

Simetria




Talvez sejamos simétricos.
Afinados.
Talvez acordemos em tom mais grave,
E depois nos agudemos.
Com o passar das horas.
A simetria diante do espelho
Pode ser que nos mostre beleza.
Mas, é preciso reparar bem...
Se a simetria vai além.
Se segue o contorno da alma.
Dizem que somos multicoloridos.
Muito se fala da quarta dimensão.
Todavia, não são todos
Que se propõem a enxerga-la.
Não são muitos os que
Visualizam as cores todas
Que nos rodeiam.
Pensamento a pensamento.
Buscamos concatenar as ideias,
Criar juízo...
É tão difícil essa coisa toda!
Por vezes, nos deixam malucos.
Com vontade de rebobinar a explicação da aula,
Só para ver se aprendemos algo que preste!
Buscamos o conhecimento cognitivo
De forma voraz.
E, sinceramente, deixamos de lado
Toda e qualquer forma de autoconhecimento.
Ficamos com medo do espelho.
Com medo das próprias rugas e cicatrizes.
Das queloides e hematomas.
Que, no fundo, nos remetem ao fracasso.
Fracassamos em algum momento da vida.
Afinal, não há simetria
Que permaneça tão simétrica todo o tempo.
Não há acorde melódico
Que não desafine meio tom
Numa terça-feira longa e entediante.
Somos na verdade assimétricos, desacordes.
Somos balança debaixo do ventilador.
Não há como permanecer intacto.
Somos grama pequenina, vez em quando.
Noutras, raio imponente e austero.
Cheios dos porquês e das razões.
Misturamos dentro d’alma
De tudo, um pouquinho.
Para que não falte nada.
Para que não sobre, não transborde.
Afinal, a medida certa
Está dentro de cada um.
Nem mais, nem menos.
O exato.
O concreto, o abstrato.
O futuro incerto,
Junto ao passado recordado.
Como num filme.
Vamos vivendo e buscando.
Sentindo e nos medindo.
Seja em copinho de xarope.
Seja em tacho de cobre.
Aos poucos, vamos nos dosando à vida.
Para que nos distribuamos
Em tons nada estridentes.
Ou mesmo em figuras nada disformes.
Um dia perderemos a forma.
Não já.
Então, talvez a ressonância ouvida
Dependa somente e tão somente
Do acorde emitido.
Para que sejamos quadro admirado
Devemos nos autorretratar como tal.
Em pinceladas pequeninas.
Que completem a tela.
Ao som do que nos faz bem à alma...  

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