um pouco mais sobre mim...

Minha foto
Casada, escritora, com a alma rodeada de perguntas... Amo meu marido, minha família e meus animais de estimação. Sou um pouco ansiosa, gosto de tudo o que faz bem. Amo escrever... Isso faz de mim elo com os sentimentos que me consomem e que vagam por entre as pessoas. Sou uma pessoa extremamente intuitiva, que adora ouvir música (extremamente seletiva quanto a isso), que ama escrever, que faz do amor sua fonte de energia vital... Sempre!

domingo, 28 de julho de 2013

Inversão


O que mais se vê
Nesses dias tão nossos
É a utilização da palavrinha inversão.
Inversão de valores
Tão básicos quanto arroz com feijão!
Inversão do amor.
Pondo à frente
Toda forma de materialismo substancial.
Em vez de ecoar d’alma
Um “eu amo você!”.
Inversão de critérios do bem.
Deixando para lá o famoso e antiquíssimo
“Faço por amor...”,
Em troca do mais atual
“Faço em troca de algo...”.
Inversão de simpatias.
Dando sorrisos ao espelho,
E nem um “bom dia!” ao vizinho,
Como forma de cordialidade.
Inversão de bondades.
Sendo boníssimo a estranhos
De caráter duvidoso,
E menosprezando aquele que lhe dá alimento e colo.
Inversão de gratidão.
Cuidando da gripe de um “ficante” qualquer,
E pondo os genitores num asilo fétido e de quinta!
Como é hipócrita o ser humano!
Julga-se tão perfeito,
E nem percebe sua falta de coração!
Nem percebe que inverte as bolas,
Que vira o mundo de ponta cabeça!
Orgulha-se dos diplomas todos,
E na grande maioria das vezes
Mal eles servem como papel higiênico.
Isso quando servem!
Inverte-se tudo,
Em prol do que lhe valha a pena...
Em troca de algum favor retribuído...
De algo que satisfaça o ego, o bolso!
Deixam-se valores de lado.
E o que se vê são criaturas
Que rebolam com o bumbum para cima
E mal sabem fazer o “O” com o próprio ânus.
Mal sustentam o que dizem.
Mal sustentam as próprias pernas.
Deixam-se levar pela hipocrisia,
E depois enfeitam cartazes de margarina.
Com aquele sorriso largo na cara
E aquela felicidade mais falsa que nota de três reais.
Há quem diga ser isso tão normal!
Há quem, entretanto, prefira não sorrir, sem vontade.
Que feche o cenho sem chance
De uma denotação equivocada.
Que fique na sua.
E seja feliz.
Que siga valores arcaicos.
Mas, que os siga!
Há quem prefira viver...
E não fingir que vive.
Há quem escolha a delicadeza
Ao invés da brutalidade de sentimentos.
Quem curta chocolate colorido
Ao invés de café sem açúcar.
Sabe...
Ainda bem que ainda há gente
Que sente no outro um pouquinho de si.
Ainda bem.
Ou estaríamos na lama, literalmente.

sábado, 27 de julho de 2013

Pequenina



Fez-me menina,
Toda pequenina,
Quase um pingo de gente.
E hoje sou quase do tamanho do mundo.
Sou do tamanho dos sonhos,
E quase gigante fico eu.
Dizem que sonhar é de graça.
Então pirulito-me à cama...
Ainda mais em dias de gelar o bumbum.
Cubro as orelhas, semicerro os olhos,
Com desejo de volitar.
Gosto dessa sensação.
De brincar com a idade,
De sorrir com vontade,
De enfeitar os cabelos.
De fazer maria-chiquinha num domingo de manhã.
E de pôr meias nos pés em dias de frio d’alma.
Gosto de brincar com o cachorro,
De bagunçar o miolo,
De nem esquentar o pote.
De sorrir adormecida.
De postar as mãos, vez ou outra.
De ouvir música, religiosamente.
E como faço disso uma religião!
Une-me ao etéreo
Num estéreo quase acústico.
Provoca-me pensamentos,
E me molda os quereres.
Fez-me menina,
Toda pequenina,
E hoje estou enorme.
De coração e tamanho.
Não ligo para a forma do corpo.
Dou muito mais valor à forma da alma.
Gosto disso.
Gosto de pés para cima
E meias pueris.
Cheias de encanto ao olhar.
Gosto de sorrir quando der na telha.
E de não sorrir, também.
E ainda mais de arco-íris.
Todo colorido, numa gradativa
Capaz de fazer crer em duendes e fadas,
Sem nem inalar ou ingerir droga alguma.
Sou do tamanho do mundo.
Do tamanho do meu mundo!
Nele, pinto flores azuis de cabos alaranjados.
E desenho sóis com palito de sorvete.
Sorvo seus sabores na ponta da língua
E construo castelos,
Todos feitos de felicidade.
Minha casa não é grande.
De grande já chega eu!
Eu e minha paz atual.
Aprendi a ser paz.
Independente do grande mundo em que vivo.
E é bom demais tudo isso!
Fez-me menina.
Pequenina.
Contudo deu-me todas as ferramentas
Para construir sonhos.
E ainda agora, com quase trinta...
Gosto de serelepar, feito a criança que um dia fui.
E só posso dizer uma coisa, mãe minha...
Obrigada por isso.
Por tudo isso!

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Surpreenda-me!


Surpreenda meus olhos...
Eles estão desejosos de seu reflexo.
Surpreenda meus vocábulos.
Eles estão ansiosos por seus adjetivos.
Surpreenda meus sorrisos.
Eles esperam por sua alegria.
Surpreenda minha ansiedade.
Faça dela sua breve gargalhada.
Surpreenda minha falta de jeito com as mãos.
Ensine-as a lhe percorrer, lenta e certeiramente.
Surpreenda minha audácia.
Ela gosta de desafios.
Surpreenda minhas conexões mentais.
Desconecte-as!
Surpreenda meus sonhos, no meio da noite.
Eles se aconchegam melhor num pecado capital, vez ou outra.
Surpreenda minha delicadeza toda.
Faça com que eu me perca de mim mesma.
Surpreenda todos os meus sentidos.
Para quê necessitamos fazer sentido, o tempo todo?
Tão melhor o desconserto, a naturalidade inesperada...
A tudo tão milimetricamente ajustado.
Surpreenda minha insanidade.
E me chegue com flores, com bombons e um vinho doce e suave.
Ótima pedida para uma noite longa e gélida.
Surpreenda minha vontade de rodopiar, ao som de um jazz...
Venha dançar comigo.
Venha se expor sem medo de não acertar o passo.
Não sabemos todos os compassos.
Mas aprenderemos.
A vida é uma constante surpresa.
Aquela caixinha toda avermelhada, com laço de fita dourado.
Pronta a ser desamarrada.
Pronta a ser admirada, em sua beleza e utilidade.
Somos desejosos de surpresas.
E de surpresas boa, então...
Nem se fale!
Venha me surpreender.
Mas, venha antes que eu perca a surpresa da surpresa.
Antes que eu perca o desejo de me surpreender.
Antes que...
Surpresa!!!

sábado, 20 de julho de 2013

Amor de Madrugada



Brisa que invade minh’alma.
Arrepio que percorre cada centímetro de pele.
O esvoaçar da seda branquinha batendo no perfumar da pele,
E o deslizar dos sonhos no coração.
É madrugada de domingo,
E ao som de um metal melódico
Entrego-lhe não só meu corpo.
Entrego muito além dele.
Tudo o que quiser entregar.
Tudo o que tiver vontade.
Sou das sensações todas na ponta da língua,
Do bailar dos dedos nas costas
E do sugar, bem devagar.
Inalo o amadeirado perfume que lhe rodeia
E alquimio os odores todos, formando novas fragrâncias.
Adoro brincar de esconde-esconde com meus desejos.
Com seus desejos.
Sou dos quereres básicos, carinhosos.
Mas também dos audaciosamente inesquecíveis.
Sou das curvas voluptuosas, fartas.
Sou dos beijos na boca, molhados.
E da língua deslizando na pele...
Com ou sem leite condensado.
Sou brisa que invade a janela, além da alma.
E que passa, arrepiando a nuca.
Excitando cada pensamento.
Gosto de lhe satisfazer nas horas mais improváveis.
No meio de uma madrugada gelada
Ou depois de um banho demorado.
Devagar, me enrosco debaixo do cobertor...
E, conforme subo lhe acordo todos os poros.
Perco meu controle...
Deixo com que me controle.
Gosto disso.
De  ver-lhe dono da situação.
Por vezes.
Noutras, gosto de ver-lhe pedindo arrego.
Pedindo um castigo suave.
Uma mordida mais audaciosa.
Uma língua mais pretensiosa.
E um delicioso “satisfaça-me!”.
Essa troca de papéis é apaixonante!
E depois de tudo, o pior é adormecer.
A cabeça fervilha.
A pele pede um novo show.
E a alma, mais um afago.
Afinal, um afago tão grandioso assim é sempre bem vindo!
E de grandeza eu posso dizer que entendo.
De afago, também.
Gosto de perfumes docinhos, de pérolas branquinhas.
E de lingeries pretas.
Que contrastem com a brancura de minha pele.
Que destaquem minhas curvas.
E além delas.
Gosto de poesia.
E de música que envolva...
A madrugada, a pele... A situação toda!
Gosto das estrelas da noite.
E da brisa que arrepia, também.
E de você, adornando tão exclusivamente tudo isso.
Digamos que faz toda a diferença.
Uma deliciosa diferença!
Uma inesquecível diferença
Que eu amo sentir...
Que eu amo satisfazer...
Que eu amo e ponto!
Um tudo misturado,
Sem precisar descrever mais e mais...
Fica nas lembranças e na ponta da língua.
Assim, sem pressa.
E lhe garanto: é de se aplaudir de pé!
Todo o aplauso do momento.
Toda a reverência da alma...
Toda ela.
Toda nossa...

Elástico



Antes não tivesse surgido.
Talvez agora eu estivesse em paz.
Talvez agora essa paz fosse real.
Talvez tudo fosse real.
Sem precisar de realeza, só realidade.
Antes não tivesse aberto sorrisos.
Eu estaria em calmaria.
Comigo e com o mundo.
Eu poderia olhar no espelho
E não ver seu reflexo no fundo do meu olhar.
Antes não tivesse mandado todos os beijos.
Dito todas as palavras.
Acariciado com toda sensualidade.
Assim estaria eu agora sem pensar e repensar nisso tudo.
Sem chegar à conclusão alguma que preste!
Mas, não.
Você veio cheio de sorrisos,
Com olhares de cão pidão,
E toda uma carência n’alma.
E eu, toda mole, não resisti.
Tentei, por ser errado.
Mas, não consegui.
Fui me envolvendo em sua carência,
À medida que me enredava com palavras açucaradas.
E quanto açúcar pôs nelas!
Fez tudo direitinho
Para que eu lhe satisfizesse os pecados.
Pecamos juntos, eu sei.
Não me desvencilho da culpa.
De forma alguma.
Contudo, soube enredar meus dias,
Para que eu ansiasse suas melancolias.
Metaforicamente ou não.
Concreta ou abstratamente.
Esperei à moda da curiosidade.
Buscando o próximo capítulo.
Mas, como num livro de páginas poucas,
O fim veio sem compreensão.
Mostrou-se antes mesmo do beijo final.
Findou-se esse quê sem nexo,
Na velocidade de uma folha em chamas.
Chamuscamos tanto... E tanto...
Que acabamos queimando as próprias asas.
Viramos anjos caídos.
E nossa maior dúvida talvez seja
Se realmente acabamos um para o outro.
Se não haverá faíscas,
Caso haja união dos fios d’alma.
A dúvida instala na mente.
E depois coça nos dedos,
Buscando a procura.
E quando vemos, já estamos nós enroscados de novo.
Em mais um lençol barato,
De mais um quarto de hotel qualquer.
Como o tesão todo que nos une.
Ou desune, sei lá.
Como toda essa inconstância de um “vai e volta”
Que não acaba nunca.
Por acreditar que a elasticidade, por mais gasta,
Ainda permanecerá num estende e retrai.
O que esquecemos é que mesmo que se estique,
O elástico perde a beleza, enrugando-se.
E assim será nossa interrogação.
Enormemente esticada até enrugar
Ou estourar, para piorar.
Estamos nos esgotando.
E nem sabemos se lá na frente isso valerá a pena.
Estamos no agora.
O amanhã a Deus pertence.
Esse é o lema.
O melhor lema para nós.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Proteção



Quando voltou à Terra
Deixou-me um pouco órfã.
Estava acostumada com a proteção vinda de seus olhos.
Veio antes, para me guiar.
Veio com a promessa de iluminar minh’alma.
E assim o fez e faz.
Com a energia quente d’aura iluminada.
Emana raios de cura
E me atinge as mais sutis fibras.
Ecoa em mim todo mantra,
Fazendo vibrar tão lá dentro!...
Recosta sua carcaça em mim
E quase posso transpor toda dor.
Recobre suas mãos sobre mim
E a troca energética é bárbara!
Posso me recompor das dores do mundo
Apenas com seu olhar.
E... Ah! Como são tantas essas dores!
São tamanhas!
Mas, é só você sorrir, levemente...
E lá se vão elas!
O timbre melódico da voz
Ensaia orações subliminares.
E posso senti-las, mesmo à distância.
Posso senti-las com toda minh’alma.
Faz-me abrir as asas...
Sentir perto dos pulmões aquela quentura boa.
Consome minhas lágrimas
E faz-me crer e mim!
De novo!
Só por agora...
Quando retornou à Terra
Posso dizer que senti saudades.
Todavia, como é bom abrir os olhos
E sentir toda essa proteção!
Protege-me com a alma.
E isso, sem dúvida, não tem preço.
É além da alma.
Além da vida.
Das vidas.
Já vividas.
E ainda por passarmos.
Num elo intransponível.
Numa promessa de sempre.
Numa união de discernimentos.
Pondo purpurina nas asas um do outro.
Para que nos enxerguemos,
Caso passemos pelos vales sombrios d’alma
Numa das estradas da vida.
Não tem preço.
E jamais terá!

Indecisão



Faz-me rir com sua indecisão.
Tão jeitosa essa falta de coragem!
Dá para rir um pouquinho.
Dá para imaginar diversas coisas...
Talvez seja covardia.
Ou talvez falta de jogo de cintura.
Talvez falta de trato com as palavras.
Ou você prefira subentender tudo.
Como sempre o fez.
Como faz com algo que lhe assuste.
Creio eu lhe assustar, então.
Por querer e não querer.
Por elogiar e só.
Assim... Na espreita.
Sem um passo adiante.
Não sou muito das paciências.
Sou das gesticulações todas.
E talvez isso lhe assuste tanto!
Vive no alto do muro,
Espionando ao longe.
Com medo de descer.
E encontrar lá embaixo recepção boa.
Não é adepto a carinhos.
Não por não gostar.
Pela falta de convívio.
Tem medo de sonhar e cair da cama.
Bater a cara no chão e desiludir-se.
Então, pouco sonha.
Controla a ansiedade ao máximo.
E quando não consegue mais, apenas sorri.
Um breve sorriso bonito,
Estampando a dentição alva e contente
Por bater os olhos rapidinhos na saudade.
E quanta saudade deve sentir!
Quanto labirinto encefálico deve cruzar!
Fervilhando nas incógnitas...
Respondendo-as tão somente a si.
Por medo, talvez.
Covardia, quem sabe?
Por teimosia e timidez.
Estampa uma incerteza doida.
Uma felicidade amarelada
Como doente em cama de hospital.
Jura para si tamanho contentamento.
Mas difere isso tudo no olhar.
Não consegue sustentar nos olhos
O que a boca ecoa, todos os dias.
E cai em contradição uma, duas, todas às vezes.
Faz-me rir com sua inconstância.
Num jogo de olha e não olha.
De bem-me-quer, mal-me-quer.
Não sei até onde isso causará sorrisos largos
Ou mesmo de canto de boca.
Mas, é interessante.
Distrai a cabeça e o coração.
Porque a inconstância toda
É sua marca registrada.
Ah! Se é!...

sábado, 13 de julho de 2013

Sexo e Amor



Quisera o homem um dia compreender
A diferença gigante entre fazer sexo e amor.
As pessoas confundem, fundem-se
E depois vão embora.
Tomam um banho qualquer
E adormecem em qualquer cama.
Simples assim.
Como gatos no telhado do vizinho.
Num lema fora da lei.
Ronronam suas fibriças
Em qualquer arranhador vagabundo.
E se acham “os tais”
Com chiclete de menta mascado na boca
E odor de cerveja gelada.
Gostam de apalpar umas nádegas aqui,
Uns pênis ali..
E quando mal se espera
Lá estão em movimentos de excitação.
Transam feito bichos
E nem querem saber
Se uma procriação surgir, às avessas.
Quem cedeu que o embale!
É essa a melhor das respostas.
Mas, melhor para quem?
Há uma significativa diferenciação
Em “deixar rolar” e “enrolar-se”.
O “deixar rolar” por vezes enrola,
Num cola e descola
De última hora.
A pele sua, o cabelo desgrenha...
E quando se vê, já foi.
Se rolar de novo, pois bem.
Se não, sem crise.
É o que dizem por aí, depois de umas e outras.
Já o “enrolar-se” vai além do lençol sujo.
Do insulto do momento.
Do arrebato insano.
Vai mais longe.
Muito mais.
É banho tomado antes, a dois.
É não ter pressa para acabar.
Nem para acontecer.
É cabelo escovado, depois.
Conversa nos braços...
Aquela prosa maneira, mesmo.
Falar dos medos, anseios.
Sem receios de ridicularizar-se.
É curtir o barulho da chuva
Dando graças, bem baixinho...
É não querer ir embora.
E quando for, contar os minutos para voltar.
É preencher a alma com flores
Ao invés de esvaziar o corpo.
É sentir com as pontinhas dos dedos.
Assim, sem pressa.
É sonhar bem juntinho, baixinho...
Para só a alma ouvir.
Pudera o homem compreender a sutil diferença
Entre fornecer o sexo
E entregar a alma.
Talvez assim não houvesse tantos “filhos do nada” por aí.
Talvez houvessem quereres recíprocos.
E mais, singelamente compartilhados.
Pudera...


Escuridão



Tenho medo da escuridão.
De nuvens sombrias encobrindo o luar.
Isso me lembra de pedaços do inferno.
E do inferno quero passar longe.
Quero ao máximo olhar pela janela
E fazer um aceno simples.
Nada mais que isso.
Já estará de bom tamanho!
Já quis pôr a mochila nas costas
E esquecer os problemas.
Hoje aprendi que os problemas vão junto.
E que mesmo que financiemos um “terreninho” na Lua,
Se não soubermos ser leves,
Todas as nuvens sombrias encobrirão nosso telhado.
Hoje não penso em mochilar por aí.
Quero mais é ficar debaixo das cobertas em dia de frio.
Minha casa é refúgio de minh’alma!
É lá em que me encontro, fujo de mim, vez ou outra.
É lá em que me resguardo, me abro toda.
Lá em que  me anseio e relaxo.
Descubro-me e me recubro.
Com as mantas da mamãe,
Dadas com todo carinho
No dia em que saí de casa.
Já pensei em ir além.
Hoje, não.
Quero só é ser feliz
Na simplicidade de uma piscadela.
Só quero é ter sossego
Na velocidade de um amor de vidas.
Só quero é caminhar sobre flores pequeninas e sem espinhos.
Já busquei tantas respostas sem sentido.
E hoje, quando olho, vejo que as perguntas
É que não tinham nexo algum.
Perguntas sem pé nem cabeça
Que atormentaram por tempos!
Coisa besta a cabeça da gente!
Fica confabulando ideias mirabolantes,
Cheias de monstros e ninjas...
Cheias de loucura e santidade.
Tudo junto na memória,
Confundindo o juízo.
E quanto mais confusos, menos vemos a luz!
Menos somos capazes de ir além.
Nem que seja ali na padaria da esquina.
Tomar um café.
Ficamos desconexos, desordenados.
E quando vemos, já estamos idiotas.
Como burros com aquele tampão
Que nos vedam as vistas laterais.
Enxergamos em partes.
E isso nos limita os pensamentos.
Pensamos, pensamos...
E não chegamos a conclusões nenhumas que valham a pena.
Que nos façam menos idiotas e medíocres.
Que nos elevem enquanto ser pensante.
Afinal, se pensar é uma das qualidades,
Deveríamos fazer bom uso disso.
Odeio toda forma de escuridão.
Seja ela das nuvens, por falta de raios solares.
Seja ela de alma, por falta de uso válido.
Odeio pequenez.
Toda forma dela.
Ser pequenino nos torna imbecil.
E digamos que o que mais se vê hoje em dia são seres pequeninos.
Uma imbecilidade tamanha,
Que chega a fazer desconfiar
Ser algo parasital ou mesmo epidêmico.
O mundo anda ferozmente inabitável!
Já, já os corretores de imóveis mais espertos
Estarão estampando outdoors
Com anúncios de terrenos fora da galáxia,
Em estrelas distantes.
E nós, humanos, estaremos aqui, bestificados.
Como sempre estivemos.
Tenho medo do escuro.
Tenho pavor de idiotice.
Tenho asco de arrogância.
O que faz de muitos mais idiotas ainda.
Tenho ânsia em mudar o mundo.
O meu mundo!
E para isso preciso aprender
A não ter medo do inferno.
Afinal, se não formos para lá...
Um dia receberemos um convite quente
De alguma festa humana quase demoníaca.
E quer saber a verdade?
Somos anjos e demônios.
Todos nós.
Não o tempo todo.
Mas, oscilamos.
E ora pendemos para a porta branca,
Ora nos arriscamos na guarnição toda negra.
Vamos assim.
Até encontramo-nos com o espelho gigante,
Chamado consciência.
Ela costuma fazer visitas
Em noites de nuvens sombrias.
Toda a vida...