um pouco mais sobre mim...

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Casada, escritora, com a alma rodeada de perguntas... Amo meu marido, minha família e meus animais de estimação. Sou um pouco ansiosa, gosto de tudo o que faz bem. Amo escrever... Isso faz de mim elo com os sentimentos que me consomem e que vagam por entre as pessoas. Sou uma pessoa extremamente intuitiva, que adora ouvir música (extremamente seletiva quanto a isso), que ama escrever, que faz do amor sua fonte de energia vital... Sempre!

domingo, 26 de fevereiro de 2017

Conhecedores & Idiotas




É preciso ser racional. É preciso saber das coisas. É preciso ser preciso, É preciso ser imortal!
Mas, quando há precisão dos saberes, não se pode precisar. Não se deve olhar o mundo com sentimentos humanos. Somente com olhares técnicos, impossíveis de errar! Caso erremos, somos imprecisos e indecisos... Deveríamos ter analisado tudo com um modo quase que sobrenatural, de tão mecanizado!
E até quando teremos que seguir as regras, para sermos considerados bons? Até explodirmos numa fúria inesperada, taxada de estresse do cotidiano?
Vivemos amarrados a decisões que não firam os outros, que não saiam do rotineiro, para que não cause estranheza e aspereza alguma em quem nos cerca.
E enquanto isso somos engolidos por nossa própria consciência. Vivemos duelando com o que aprendemos como certo na infância - e que de nada serve na fase adulta. Somos ignorantes, ignorados em cada conhecimento a mais que possuímos. Devemos ser como a maioria, que mal sabe para que serve o dicionário, além de peso-de-porta.
Somos vistos e bem-quistos à medida da necessidade alheia. Se somos úteis, muito que bem. Se não o somos, podemos ser rapidamente substituídos por qualquer outra máquina imbecil, capaz de não sobrecarregar as suas emergias, que seja capaz de apertar os botões de start/ delete, nada além disso.Porque se essa máquina imbecil souber para que serve o F5, ela será audaciosa demais para ser humana. Deve ser contida à sua relevância inútil, para qual fora designada. 
Vivemos em um mundo onde a palavra é inerte. Deve permanecer imóvel, sem que seja notada como algo a mais a acrescentar. O acréscimo é inútil,. idiota!
E são os idiotas que resolvem os problemas, que salvam o dia dos bons homens, cheios de razão! São os imbecis que sabem mais do que deveriam, que ensinam como fazer as coisas pelo caminho certo, sem demorar horas lendo manuais e relatórios de como se faz isso ou aquilo! São os irracionais que acabam pondo tudo sobre a mesa, pronto, em cinco minutos após o pedido...
Os irracionais idiotas que fazem o que os bons de boca se acham no direito de mandar e desmandar... Porque só dizer "FAÇA!" é tão pequeno quanto lamber o próprio nariz, em frente ao espelho. É algo sem valor, porque o valor das coisas vai no tostão que se tem, no nariz que se empina, no conhecimento que se acha que tem... Porque sabe-se ler uma bula de xarope.
Quero ver esses mesmos boazudos racionais conseguirem decifrar incógnitas, enigmas ou interpretar algo que não o próprio receituário?
Isso é parte do trabalho dos que irracionalmente aprendem que ou se faz tudo com excelência e com o coração; ou nos propomos a fazer nada, além de fezes no vaso sanitário, às seis da matina!!!

Asilos






Vivo exilada em meu asilo.  Cheio de traças e de paredes por pintar, por repintar,  descascadas pelo tempo. 
São tantas memórias guardadas em retratos antigos que não posso contar todos! Tudo junto, coberto pela poeira da espera. Sou retalhos de um tudo vivido, sentido na pele e na alma. Sou colcha antiga, de matelassê, com bolinhas de poá . Esticada na cama, olhando o teto branco de forro aparelhado . E relembrando uma vida toda, sorrindo de canto de lábio, por vezes. 
Mas, há também momentos onde a lágrima vai, discreta. Como que para hidratar a cútis. Para embelezar as rugas já formadas. 
Vivemos em asilos. Interiores ou exteriores,  tanto faz. Vivemos com medos que nos afogam. Com esperanças remotas de sermos felizes, todo o tempo.  Contudo, a mão trêmula que pede em oração a tranquilidade,  escreve memórias dos tempos de juventude.  Com a mesma naturalidade dos tempos de menina moça,  onde o rubor da face é característica ímpar no tempo da conquista. 
Rugas que se misturam com as memórias.  Memórias que, remotas,  fantasiam um final feliz. 
O final feliz talvez venha.  Talvez já tenha chegado,  e não tenha sido percebido. 
Hoje tanto faz. Pouca diferença fará nas histórias a contar, inúmeras vezes,  como vitrola enroscada,  com a agulha de diamante pulando no risco do disco de marchinhas de Carnaval ou bolero das antigas. 
A calmaria do vento adentrando pela fresta da janela é quase tão mortal quanto a solidão que me afronta. Confunde, perturba e tira o sono, às três da manhã... Bem na hora da descida dos anjos. Isso talvez faça com que eles, os anjos, me vejam  como alguém que merece subir aos céus,  depois que tudo acabar. 
E eu não sei quando tudo acabará.  É frustrante demais esperar o término,  como  a esperança de um amor que nunca chega. Que ficou parado no meio do caminho,  se decidindo se ia ou voltada para o posto de descanso. 
Vivo ilhada em meus projetos inacabados.  E talvez acabar com essa frescura psiquiátrica seja o pontapé para a liberdade de espírito,  depois de uma vida enfadonha e despretensiosa. . .