um pouco mais sobre mim...

Minha foto
Casada, escritora, com a alma rodeada de perguntas... Amo meu marido, minha família e meus animais de estimação. Sou um pouco ansiosa, gosto de tudo o que faz bem. Amo escrever... Isso faz de mim elo com os sentimentos que me consomem e que vagam por entre as pessoas. Sou uma pessoa extremamente intuitiva, que adora ouvir música (extremamente seletiva quanto a isso), que ama escrever, que faz do amor sua fonte de energia vital... Sempre!

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Visita



Diga-me a que veio,
E lhe digo se pode entrar.
Diga-me suas reais intenções,
E lhe digo se pode abrir a porta.
Caso contrário, sem a senha,
Nem a campainha tocará!
Ficará sentado, esperando
Minha boa vontade de moça.
E já lhe aviso antes de tudo:
Sou toda calmaria quando me desafiam!
Venço meus adversários, cansando-os.
Diga-me suas verdades.
E, dependendo de seu tom vocal,
Eu também lhe diga as minhas.
Senão, meias- verdades soam melhor.
Com menos ênfase, menos parágrafos.
Diga-me do que é capaz, em dias de solidão.
E eu lhe confessarei minhas especialidades.
Podemos traçar boas prosas.
Com o sem bolinho de chuva.
Por falar em especialidades,
Saiba você que me especializei em delicadezas.
Sou das emoções e sentimentos.
E prezo muito pela reciprocidade.
Portanto, faça a mim tão somente
O que quiser que eu lhe faça.
E faça bem feito.
Ou nem se atreva!
Não gosto de meias missões.
De bagunça organizacional
Já me basta a minha, vez ou outra.
Não precisa ser tão claro.
Basta apenas ser sincero.
A dualidade instiga e encanta.
Desde que venha verdadeira.
Outra coisa importante
É olhar bem lá no fundo...
Dos olhos e da alma.
Não há nada melhor do que revelar-se assim.
Sem ter que abrir os lábios.
Numa decifração tão perfeita, quanto intensa.
Que nos avermelham as bochechas.
Gosto de não ter que revelar
Meus instintos mais maquiavélicos.
Contudo, se preciso, os faço.
Com maestria.
Porque sou ariana, das impulsividades.
Embora esteja em órbita de Peixes,
Meu carneiro sabe dar de encontro
Com quem quer queira perturbar meus instintos.
Venha sentar-se ao meu lado, para um refresco de maracujá.
Acalmaremos os pensares.
E ainda risadas virão em sequência, certamente.
Não sou de mostrar os dentes, todo o tempo.
Aprendi a não mostra-los a qualquer um.
Tão somente os que merecem, os conhecem.
Diga-me a que veio.
Qual seu intuito, sua razão.
Quem sabe elas não sejam companheiras.
Quem sabe as missões sejam complementares?
Venha fazer-me uma visita.
Eu espero.
Mas, não demore, por favor!
Ou nem a campainha tocará...

Strip-tease



Numa frenética canção de Lulu Santos,
A danada da moça dança, balança e despe-se...
Gosta de pecar como veio ao mundo.
Aos poucos, num tira, tira...
A pedido dos homens que a disputam.
Faz strip-tease desde os dezoito.
Hoje, aos vinte e cinco, é quase craque.
Tira cada peça a cada nota posta no chapéu.
Um chapéu tipo cartola, que usa para o show.
É o primeiro a entrar em cena,
E o último a descer do palco.
Ao som da batida musical, solta os cachos negros...
E vira-se de costas à plateia.
Ao ver as notas sendo postas,
Retira peça por peça.
Começa com a camisa branca.
Presente de um dos tantos admiradores.
Abre botão por botão,
Até revelar a lingerie toda menina-moça.
Gosta de brincar de” femme fatale” e quase virgem.
Camisa ao chão,
É hora de pôr ao chão também a calça.
Entra num terno masculino, com cartola e gravata.
Prefere assim, a escandalizar logo de cara.
Já sem camisa, cada botão da calça de alfaiataria também vai se abrindo.
Revela um pedaço da barriga,
Com direito a visualizar a calcinha preta.
Mas, demora um pouco a tirá-la.
Prefere a gravata borboleta e os brincos de argola.
Depois, deixa a calça cair, num quase convite indecente.
De roupa no chão, o que resta são o sutiã, a calcinha e o salto agulha.
Ama scarpins pretos de verniz.
Trouxe numa de suas viagens à Europa.
A música muda de tom,
Assim como o seu envolver.
Parte para o refrão de “Noite do Prazer”...
Convidando quem melhor lhe pagar.
E há disputa por ela.
Garota da madrugada frenética,
Com cheiro de bebida e dropes na boca.
E corpo de fazer disputa.
Sabe o Kama-Sutra de cor.
Aprendeu a decifrá-lo, cliente a cliente.
Tem parceiro toda noite.
Toda ela, quando quiser.
Termina sua performance sem nada,
Apenas balançando o cabelo, escolhendo seu alvo.
Para amanhã começar tudo de novo...
Com figurino diferente.
Mas com a mesma vontade de saciar
Seu desejo de sexo e grana.

À Espera



Sai de um banho de espuma,
Com água quentinha  a fumacear-lhe  a pele.
Corpo coberto por óleo levemente perfumado
E cabelo semi preso, molhado.
Enrolada na toalha corre a atender ao telefone.
Está à espera desta ligação há dias.
Não quer demonstrar ansiedade.
Mas, ansiedade é seu sobrenome.
Atende toda sorridente.
Como se fosse possível enxergar seu sorriso do outro lado da linha.
Enquanto conversa, deixa cair a toalha branca,
Mostrando seu corpo a quem estiver por espiar.
Vive no quinto andar do Edifício D’Angelis,
Em virtude de uma herança inesperada.
Gosta de morar ali.
A conversa flui como confissão.
Procura convencer quem está ao telefone
O quão à espera se encontra.
E enquanto se maquia, despida,
Sorve um gole de vinho tinto suave.
Numa taça de cristal bojuda,
Acaricia a borda do vidro
Como se fosse outra coisa.
Sabe seduzir seu amante
Toda vez que ele lhe busca.
Está sempre à disposição.
Não é garota de programa.
Mas, entre quatro paredes diz tudo valer a pena.
Na pele, além do perfume, a camisa de cetim semiaberta,
Quase enlouquece quem olha.
De seios volumosos, unidos,
Escondendo entre o colo um crucifixo de prata.
Usa-o por acreditar em Deus.
À sua maneira, sem muita adoração.
Combina com o cetim um batom bordô e uma máscara de cílios.
Marca os olhos e os lábios, sem se preocupar com a moda.
Faz moda quase todo o tempo.
Por capricho de fazer.
Por fazer tão caprichado.
Conversa feito gente grande.
Embora não tenha mais que vinte anos.
Está à espera da promessa feita ao telefone.
Promessa de prazer regado ao luxo.
Muitas promessas feitas ao longo dos anos.
Realiza desejos, mas não sabe selecioná-los.
Diz não ter paciência para tal.
Olha no relógio, e são mais uns goles na taça.
Algumas carícias fortuitas,
Até que a chave gira na fechadura,
E a delícia de um amor de meio de tarde
Faz com que ela se perca entre êxtases e quero mais.
Mais detalhes?
Ah! Revelar demais tira o gostinho bom da espera...
Seu nome?
Aquele que você quiser chamá-la!...

domingo, 29 de setembro de 2013

Maria dos Anjos



De barriga no fogão de lenha,
Com chinelo de dedo gasto pelo tempo,
A Maria dos Anjos segue seu caminhar.
Os tantos anos de vida
Já quase dobram o “Cabo da Boa Esperança”.
Contudo, segue firme em sua missão.
A de cuidar dos seus como lema.
Carrega no peito a força.
E nas mãos, os calos da experiência.
Traz n’alma os sonhos...
Com ouro e pó a adornar.
O ouro dos tempos de grande valia.
O pó do envelhecer quase solitário.
Tem alguns para chamar de seus.
Contudo, pouco se sente à vontade.
Gosta mesmo do piar dos pássaros.
E de sentar no degrau mais alto da escada.
Olhar o sol caindo, depois do trabalho.
Do trabalho dele e dela.
De moda de viola, pouco gosta.
Curte mesmo é as modinhas do seu tempo de menina-moça.
Quando arrancava suspiros dos moçoilos da região.
Casou-se com Augusto dos Anjos.
Mas, não aquele todo famoso.
Era apenas o filho do Afrânio da quitanda,
Sem muita freguesia a oferecê-lo como presente.
Teve Joana como sogra.
E Margarida como cunhada.
Hoje já enterrou todos,
Restando apenas a “sobrinhada”.
Não teve filhos para não estragar a beleza.
E hoje se arrepende toda.
Ficou sem a juventude.
E sem alguém para dizer ter embalado desde pequeno.
Vive no pé da serra,
Em meio a hortas e plantações.
Do pouco que ganha,
Sustenta a si e aos pombos.
Uns dois cachorros matreiros
A latir ao som da coruja velha.
E o chacoalhar das árvores na madrugada gelada.
Está no fim da jornada,
À espera do Deus Pai, Todo Poderoso.
Não sabe quanto tempo lhe resta.
Nem a quem deixará seu pedaço de chão.
Essa é Maria dos Anjos.
Viúva de Augusto dos Anjos.
Célebre pobre mortal sabe Deus do que...
Num fim de mundo onde o vento faz a curva.
De história peculiar.
Contada por alguém que se atreve em meio às linhas,
Para quem sabe, lá na frente,
Ter sua própria história em folhas de livreto...

Atriz



Em um balanço de corda e flores
Desce a atriz em seu corset rosa bebê.
Doce, com pinta no canto esquerdo do lábio,
Quase paralisa com seu volume do colo.
Fascina por sua beleza alva
E sua trança caindo de lado, no ombro.
A calçola toda rendada
É bem avançada para o tempo.
Propositalmente posta,
A fim de arregalar olhares másculos
Em favor de uns presentes cá e acolá.
Sabe como arrancar suspiros.
E nem sempre precisa arrancar as vestimentas.
Tira-as apenas a quem lhe interessar.
E são poucos os que sobem aos seus aposentos.
Na plateia, desde rapazotes até altos barões.
Com ou sem esposas,
Buscam aí horas de relaxamento.
Um relaxar regado a vinhos, conhaques, champagnes...
E muito, muito prazer.
Nada adepta a orgias, conquista só.
Com roupão adornado a pérolas minúsculas
E algumas gotas de água de cheiro.
Seus olhos, num tom mel paralisante,
Despem suas caças da noite,
Do mesmo modo como é despida.
Aos poucos, escolhe sua lebre...
E a faz subir até o quarto.
Lá, busca mais que satisfazer o desejo alheio.
É cortesã.
Mas, ama ser cortejada.
Busca seu prazer próprio.
A qualquer custo.
Sobre qualquer valor.
Monetário ou além dele.
Busca os melhores gemidos,
Os contorcionismos mais excitantes...
Até que atinja o ponto maior do prazer absoluto.
Não se entrega se não for chegar ao ápice.
Não gosta de satisfazer.
Gosta de se sentir satisfeita.
E faz isso como magia.
De pés para o alto
E cabelo molhado de suor,
Deixa com que suguem sua seiva.
Até que encontrem o ponto de se contorcer.
E como se contorce, Deus!
Não poupa demonstrações físicas e sonoras
De que está no caminho certo!
Não hesita em excitar-se.
Com ou sem companhia.
Com ou sem adornos ao pescoço.
Apenas um copo de algo gelado
Apara que as mãos encontrem
A melhor e mais rápida maneira rumo ao gozo!
E como atinge o nirvana rápido, rápido!...
Gosta de se jogar na cama, de costas,
E pedir que a saciem.
Com beijos, línguas e puxões de encontro.
Maneira bruta, por momentos alguns.
Maneira suave, para variar um pouco.
Tem dias de solidão, também.
Dias em que a porta não se abre.
E o balanço não desce, no meio do palco.
Dias de pensar se é certa.
Se ainda continua, ou para.
Contudo, esses dias são raros no decorrer dos anos.
Simplesmente porque no fundo ama ser o centro das atenções.
Ama despertar suspiros quase diabólicos.
Ama as caixinhas de veludo quase gigantescas.
Ou mesmo as pequeninas, desde que recheadas e muito valiosas.
Fascina com uma voz rouca, quase infantil,
Num tom de fazer ereto qualquer falo
Ao menor “boa noite, meu bem...”.
Enlouquece quem bem quiser.
E depois...
Ah! Depois adormece feito anjo
Com as asas escondidas sob o lençol
Tão branco quanto sua pele...
Mais branco que sua consciência.
Para amanhã, quem sabe,
Tornar ereto o falo seu, num “boa noite” qualquer...
Coisa de atriz.
Que ama o foco e o falo,
Ambos, a todo o tempo.

sábado, 28 de setembro de 2013

Metades



Posso ecoar ao mundo a que vim.
Mas, enquanto não acreditar em mim mesma,
Jamais poderei inspirar confiança alguma.
Posso acreditar no poder dos sonhos.
Mas, enquanto não me dispuser a sonhar também,
Jamais poderei recomendar que você feche seus olhos.
Posso ensandecer com os problemas do mundo.
Mas, enquanto eu não fizer da loucura minha a solução,
Jamais poderei demonstrar ao mundo cura qualquer para a alma.
A loucura é sim companheira dos sonhos.
Caminham de mãos dadas,
Rumo ao caminho da felicidade.
Mas, da felicidade ímpar de cada qual.
Sem comparações bestas quanto à sua intensidade e brilho.
Cintilam e oscilam a seu bel-prazer.
Sem precisões maiores.
Sem quereres alheio a influenciar.
Iluminam conforme querem.
Como quiserem.
Quem lhes for especial.
E para ser denominado “especial”
É necessário muito mais que fala.
É sê-lo e ponto.
Fazê-lo e exclamação.
Sem aquelas interrogações bestas
A nuvear as ideias.
É além dos paradigmas.
É aquém das aversões.
E das versões tantas todas
Que sempre estão na ponta da língua.
E são tantas!
Quase incontáveis...
Atormentam o tempo todo.
Como vizinho chato a bater à porta.
Queremos nos livrar.
Mas, por educação nos mantemos ali, em pé.
Todo ouvintes às lamentações feitas
Num breve momento de confissão.
Por falar em confissão
É preciso dizê-la também,
Lembrando-se dos nossos breves confessionários...
Escondidos de padres, pastores ou pais de santo.
Do cantinho nosso a confessar os pecados.
Pecados do corpo, ora d’alma!
Pecamos a todo instante.
Direta ou indiretamente.
Mas, o que seria pecar?
A nomenclatura é clara e objetiva.
Porém, a interpretação subjetiva e individualista.
O meu pecado nem sempre é o seu, e vice-versa.
O tempo que me disponho a ajoelhar,
Pedindo uma luz como guia
Talvez lhe seja considerado algo a gargalhar.
O caminho percorrido à felicidade minha
Nem sempre será o mesmo que o seu.
Ao menos que sigamos os mesmos objetivos.
Contudo, ainda assim poderemos nos desviar...
Para, quem sabe, lá na frente trombarmos
Nossas ideias e ideais, novamente.
Essa subjetividade toda é a diferença!
Faz a roda das coisas girar
Num frenesi tão grande
Que, se não soubermos nos equilibrar,
O chão e a loucura serão nossos fiéis companheiros.
Somos loucos todo o tempo, também.
Ao nosso modo.
Numa individualidade de loucura
Que psiquiatra nenhum consegue amenizar.
Somos loucos, sim!
É melhor sermos assim!
A vivermos de forma “quadradinha”,
Num jogo de peças de montar.
No entanto, nem toda loucura foge à regra...
E acaba por fazer-se montar num eterno jogo.
O jogo das pecinhas de encaixar.
Encaixamo-nos, nos desencaixamos.
Numas peças meio desgastadas
De tanto encaixa-desencaixa.
Essa brincadeira de descobrir o melhor encaixe
Além de desgastar, enjoa.
E para fugirmos dessa rotina de procura,
Acabamos por nos tornar ensandecidos.
Verdadeira ou convenientemente.
O quanto nos couber sê-lo ou fazê-lo.
Estrategicamente.
Então, nos contradizemos se somos loucos, ou não.
Se somos verdadeiros, ou não.
Contradizemos nossas ideias.
Contradizemos nossas próprias atitudes.
E fingimos tanto
Que fingimos a nós mesmos.
Uma meia-verdade
Numa meia-idade.
Com uma meia-vontade.
Tornamo-nos metades.
E não seres completos.
Oh! Coisa boba essa de se dividir ao meio!
Não somos nossos, nem dos outros.
E depois julgamos do próximo
Toda a parte que nos cabe do queijo!
Toda ela!
Os pés, os braços,
Os abraços e os beijos.
Com queijos e goiabadas
A adoçar e salgar a vida.
Mas, se somos metades quase todo o tempo,
Como cobrar em quê completo?
Oh! Humanidade insana!
Que baba colorido quando lhe convém.
E que rateia por sentimentos de forma austera.
Quase imposta.
Posso mostrar a que vim.
Das mais diversas formas.
Mas, enquanto eu não for um ser completo...
Jamais atingirei meu público.
Jamais deixarei de ser amador,
Para reinar no campo do profissionalismo.

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Infância



Devo ter sido difícil quando criança.
Recordo-me muito pouco disso.
Das brincadeiras, dos amigos...
Que no fundo também deixaram de ser.
Pouco há para recordar.
A vida me amadureceu muito antes.
Da infância, algumas broncas de pai e mãe.
Os ralados do joelho
E a inquietude pela adolescência.
Inquietude mais idiota!
Esperamos ansiosos  a “revolução”...
E quando ela deveria chegar
O que se vê são faces com erupções da puberdade
E a cabeça cheia de incógnitas!
Incógnitas que rodeiam, sem respostas aparentes.
E quando a gente pisca, já está grande!
Com menos erupções faciais.
Mas com muito mais monstros a atormentar.
Tornamo-nos crianças grandes.
E tudo o que gostaríamos é de voltar à idade pequenina.
Os sonhos eram mais doces.
As desilusões tão somente no Natal ou aniversário.
Depois que crescemos, elas se tornam maiores.
Às vezes, muito maiores do que imaginávamos supor.
Então, nos resta a respiração profunda
E aquela erguida de cabeça,
Tentando crer em nossa vitória própria.
Por vezes, funciona com maestria.
Noutras, é vitória fajuta.
E frustrados, buscamos a desistência.
Talvez por covardia.
Talvez por não restar outra opção.
Inevitavelmente.
Somos postos e impostos a tal condição.
Quer queiramos e esperemos.
Quer não.
Para só depois, lá no fim da vida,
Voltarmos à criancice anteriormente vivida.
A diferença agora é que não há estado pueril mental
Que suporte o avançar dos anos.

O desencantar da vida...

Um dia desses... Hoje!



Já é quase noite.
No horizonte, os poucos ramos de sol
Não são capazes de esquentar a pele.
O frio começa a arrepiar.
E a saudade a dizer palavrões.
Não no sentido chulo.
Mas, no sentido de “acompridamento”.
As palavras surgem gigantes.
Com uma ferocidade tamanha,
Que quase me engolem.
E nem o achocolatado serve de companhia.
Aos poucos, o sol dá passagem à noite.
E a alma, solitária, engole o choro.
Um choro contido, sôfrego.
Por não saber se a delicadeza toda
É fruto de bondade extrema
Ou de idiotice em excesso.
Seriamente, há dias em que essa pergunta
Ecoa na mente como gato no telhado.
E como martela!
Então, o que resta é usar a caneta.
Pôr para fora as angústias
Como forma de descarregar a mente.
Talvez essa não seja a melhor maneira,
Mas certamente é a menos explosiva.
Já fui das impulsividades.
Hoje, sou do conter exacerbado.
Um conter que, por vezes, irrita.
Porém, talvez haja alguma vantagem no final.
Talvez haja alguma recompensa.
Por menor que seja.
Talvez ela venha um dia.
Não hoje, com o vendaval
Que desgrenha os cabelos,
Que bagunça as ideias.
No fundo, o melhor conselheiro para hoje
Seria o enorme travesseiro
E as inúmeras melodias da madrugada.
Nada, além disso.
Talvez um colo, também.
Para recostar as tristezas.
Para abrandaras injustiças.
Para acalantar as lágrimas
E deixar o soluço brotar na garganta.
Como criança quando tem dor na barriga.
Há dias em que tudo o que queremos
E realmente merecemos é a solidão.
Um copo de algo embriagante.
Ou um bom pedaço de bolo.
Com direito a cobertura de chantilly.
Para que percamos um pouco a dor.
Para que abrandemos o viver.
E para que vivamos, mesmo sem querer.
E talvez seja esse um desses dias.
Tenho quase certeza disso.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Pão e Circo



Para ver a derrocada em que estamos
Basta ligar a TV, ouvir o rádio.
Rápido correm as notícias
Do quão estamos na fossa.
Já molhamos as calças,
Lambuzamos os bigodes,
E nem assim aprendemos
Que para deixarmos esse papel idiota
Só depende de nós mesmos.
Os protestos rolam soltos.
As máscaras, as atitudes “varonis”,
Que de varonis não têm é nada!
Os vandalismos tantos como forma de protesto,
Quebrando coisa que é da gente mesmo!
Mas, depois ainda vêm na maior cara de pau
E ecoam que estão cobrando direitos!
Então, pergunto eu:
Com que direito?
Com o peito estufado de ser patriota
Tão somente em Copa do Mundo
Ou ato de quebra-quebra?
E nos outros tantos dias,
Para não perdermos o costume
Estendemos o tapete vermelho
Para os mesmos corruptos que nos roubam
Tão longe das urnas eleitorais.
Chupinamos um pouco cá, ou acolá,
Para ver se a fatia mais confeitada
Sobra na bandeja, ao nosso deleite.
E se não rolar uma mão lavando a outra,
Há quem se contente com pão e circo.
Uma gratificação bovina no espeto,
Regada à cevada e água gaseificada com teor de álcool,
Já está de bom começo.
E se vier com um “rala-coxa”, então...
Melhor ainda!
Vendemos nosso voto.
Vendemos muito além dele.
Por tostões furados.
Tão furados quanto nossa palavra.
E depois nos fazemos de santos, todos doídos,
Querendo cobrar direitos
Quando não somos direitos!
Só me resta a exclamação:
“Oh! Povo besta  esse nosso!”
E de pão e circo vive a “brasileirada”.
Nem todos.
Mas a grande maioria, sim senhor!