um pouco mais sobre mim...

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Casada, escritora, com a alma rodeada de perguntas... Amo meu marido, minha família e meus animais de estimação. Sou um pouco ansiosa, gosto de tudo o que faz bem. Amo escrever... Isso faz de mim elo com os sentimentos que me consomem e que vagam por entre as pessoas. Sou uma pessoa extremamente intuitiva, que adora ouvir música (extremamente seletiva quanto a isso), que ama escrever, que faz do amor sua fonte de energia vital... Sempre!

domingo, 29 de junho de 2014

Patriotismo & Hipocrisia



Parada, olhando a imensidão verde e amarela que se forma nos quatro cantos do país, fico abismada com tamanha força que carrega o brasileiro em se dividir, em tempos de festividades.
Entretanto, seria assim também em dias de normalidade cotidiana?
Se você pensar um pouco, verá que minha pergunta faz sentido. Isso porque quase não se vê a bandeira flamulando em seu mastro em dias de feira, de pagamento de contas. O povo pouco (ou nada) se lembra da nação, do patriotismo brasileiro quando falta pão e leite; quando os boletos vencem; as filas dobram as esquinas.
Muito pelo contrário. Preferem praguejar Pedro Álvares Cabral por ter desviado sua rota rumo às Índias, e ter feito morada em meio às terras tupiniquins.
Então, seria hipocrisia essa coisa toda de “eu sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor!”?
Sinceramente, em partes sim. Porque não devemos nos orgulhar da nação que temos como gentilícia em tempos de bola rolando e bumbuns arrebitados, em meio ao samba! Deveríamos, pois, nos orgulhar de fazer parte da nação cheia de estrelas também em dia de céu encoberto.
Mas, o brasileiro se orgulha tão somente do que pouco o denota orgulhosamente. Presta atenção à bola quicando de um lado ao outro da grama, e depois reclama da falta de comida no prato; das pilhas de contas se formando no final do mês.
Reclama de tantas coisas e vangloria-se de ser brasileiro em dias de Hino Nacional na TV. Esquece-se, entretanto, do mesmo Hino Nacional em dia de eleição partidária. Para tanto, prefere a anulação ou a receptação ilícita de algo que lhe cale a boca.
E se entrega ao primeiro “cidadão exemplar” que lhe bate à porta, oferecendo aquela “graninha” para que as contas do mês fiquem pagas. E se sobrar uns trocados para o churrasco e a pelada no campinho da vila, melhor ainda!
A hipocrisia, infelizmente, é algo que põe o brasileiro entre os menos confiáveis da humanidade. A mão que aplaude a Copa do Mundo, o Carnaval das Agremiações Sambistas e as Manifestações mal intencionadas é a mesma que recolhe os tostões sujos das mãos da maldade. Depois sobem nos palanques, cobrando menos gastos, mais arrecadações e melhorias para os mais pobres.
Pobres? Os pobres de grana? Ou os pobres de espírito? Porque uma coisa é não ter o dinheiro do pão quentinho toda manhã e, labutando, matar a fome com sopa de fubá ralo. Outra bem diferente é dizer-se paupérrimo em tempos de pagamentos de contas, de honradez com seus compromissos diários e ostentar-se na primeira fileira dos estádios, com a mão direita sob o peito inflado, cantarolando feito canário o Hino Nacional Brasileiro, reverenciando uma pequena “nação” que ganha milhões à custa da idiotice dos tais “espertinhos” que atrasam o andar da carruagem.
Vai ver talvez seja por isso que ainda trotemos de jegue ao invés de caminhar de salto alto...

sábado, 28 de junho de 2014

Outra Chance



Passando em frente ao seu trabalho,
Posso me recordar do seu sorriso.
Doce, suave e enigmático.
Como tudo em sua alma.
De personalidade quase indecifrável,
Vi partir em rota distinta à minha.
E hoje são só lembranças.
Boas, diga-se de passagem.
Escolhi deletar os maus momentos.
Eles me deprimem.
E não seria boa para nós tal depressão.
O elo será eterno.
O fruto de um amor que hoje machuca,
Já completa mais de uma década.
É linda, como nosso primeiro encontro.
Doce, como nossa primeira noite de amor.
Hoje somos eu e ela.
E você no quadro silencioso, na cabeceira da cama.
Você me foi importante.
E ainda é.
Ao meu modo todo desajeitado de demonstrar amor.
Ao seu jeito todo diferente do meu.
Viemos de mundos distintos.
Mas, me unir a você talvez tenha sido minha melhor opção.
É pena que você se foi.
Preferiu seguir viagem sem minhas bagagens atreladas ao seu bagageiro.
Deixou-me esperando na estação, e se foi.
E eu fiquei olhando seus olhos partirem.
Talvez eu jamais entenda seus motivos.
Talvez você jamais entenda os meus.
E talvez seja por isso que não enlaçamos nossos futuros pela eternidade.
Fui sua, da maneira que soube ser.
E lhe senti meu, à sua maneira.
Como pudemos, fomos felizes.
E o amor ainda está aqui, guardado.
À espera de uma nova oportunidade, quem sabe.
Espero... Espero...
É o que mais sei fazer em dias de tempo frio.
Há vezes em que afogo minha amargura num copo mais adocicado.
Tudo muito às escondidas.
Mas, quem nunca?
Não há como me recriminar por isso!
Afinal, não sou perfeita.
E tampouco você também seja diferente aos pormenores.
Machuco meu coração.
E espero gratidão, para toda vida.
Afinal, você é parte importante dela.
Um pouco meu para sempre.
Por conta dos sorrisos dados.
Dos pecados cometidos na escuridão de um quarto.
E do fruto lindo que tivemos.
Fruto esse que sente saudades de você.
Como eu também sinto.
Sinto e não falo.
Prefiro que você descubra nas entrelinhas do meu olhar.
Um dia, talvez, você me decifre.
Você pare sua correria cotidiana,
E veja minha criança escondida, pedindo colo.
E seu colo esteja de novo pronto para um choro meu.
Espero aqui, sentada, afagando os cabelos da boneca nossa.
Vendo nela algo que eu fui anos atrás.
E que eu deixei adormecer pelos problemas da idade adulta.
E foi justamente essa criança grande
Quem lhe fez apaixonar-me,
Numa juventude tão remota,
Levando-se em conta os tombos da vida...

domingo, 22 de junho de 2014

Surpreenda meus instintos!



Descabele meus pensamentos.
Desconserte meus ensaios fotográficos.
Desconjugue meus verbos.
Desacelere minha impaciência.
Estou ansiosa por isso!
Para que me ouça, numa madrugada fria.
Que me aqueça, debaixo do cobertor.
Assim que se extasiar em meu corpo.
Posso não ser o formato da perfeição.
Mas, prometo me esforçar para satisfazer-me.
Satisfaço meus gostos e gostosuras.
E talvez você faça parte deles.
Talvez ocupe um espaço peculiar.
E esteja a me esperar num telefonema.
Lá pelas duas da madrugada.
Sem um assunto em particular.
Mas, o tempo está escasso.
Quase pouco me olho no espelho.
E mau uso o telefone.
Então, ligue-me!
Às duas, às quatro, às dezenove horas.
Ligue minhas antenas a você, sempre que quiser.
Minha memória me trai, saiba você.
Esqueço-me das coisas importantes, é falha!
E falhar com você creio eu não ser algo tão bom!
Retarda o pulsar do coração.
Espelha as peças do jogo todas, em todo canto.
E jogar com sua pessoa é duelar!
Ligue-me, acenda-me, ascenda-me!
Eleve meus níveis de maturidade.
Sou criança grande à procura de colo.
Em especial em dia de frio entrando pela janela.
Venha me preparar um chocolate quente.
Ou mesmo um caldo salgado, num jantar qualquer.
Estou à espera.
Quero esperar...
Esperar seu telefonema, sua volta, sua chegada.
Sem muita festa, por não saber preparar uma.
Mas com um breve sorriso n rosto.
Daqueles de se admirar pela sinceridade.
Venha! Embale meus sonhos.
Talvez eu esteja entre o seus.
Mostre-me que pode sequestrar minha atenção.
E mantenha-me atenciosa à sua existência.
Sou um tanto variável.
Feito chuva no sertão.
Feito minha própria taxa humorística.
Faça-se minha constância.
E constanciar-me-ei, se me for oportuno.
Porém, prepare-se para trabalhar bastante.
Afinal, sou para se trabalhar sobre...
E espero um bom trabalho, sim senhor!

sábado, 21 de junho de 2014

Agradeço!



Pudera eu dizer-lhe o quanto me fora especial.
Mas, não.
O medo imperou desde a idade pequenina.
E as recordações trazidas n’alma não são das melhores.
Contudo, em pensamento lhe digo todas as noites
Que tê-lo em meu caminhar fora ímpar.
Ao seu modo, me amou.
Sacrificou sua arrogância e sua falta de oportunidades.
Deu-me o necessário.
O que pudera ofertar.
E fez-me ser o que sou hoje.
Seria hipócrita se não agradecesse.
Se não retribuísse um pouco o que ganhara.
Seria absurdo se não o fizesse.
Delicadamente.
De maneira a não lhe ferir com lembranças desagradáveis.
Procuro o menor ferimento, a cicatriz menos aparente.
Aprendi a perdoar.
Para o bem de minh’alma.
Para que consigamos encontrar a luz,
Depois que a cortina da existência se fechar para o espetáculo.
Foi uma árdua tarefa.
Árdua e sábia.
Adquiri sabedoria à medida que senti saudades.
E para isso foram anos...
Num dilema com minha amargura.
Num duelo com minha consciência.
Duelei por longos períodos
E a única coisa que ganhei foi aprendizado.
Aprendi que o amor é ímpar, da maneira como sobrevive.
E que toda forma de amor é sempre válida.
Doou-me o que pôde.
E não seria eu alguém verdadeiro,
Se não retribuísse o que recebi.
Talvez tal retribuição não seja a mais acertada para o momento.
Mas, saiba que fiz com todo o meu coração.
Gradualmente, à medida que o coração descongelava.
Meu coração permaneceu em meio à neve muito tempo.
E foram precisas muitas primaveras a derretê-lo.
Hoje ele segue florido e perfumado.
Delicado e agraciado com a paz que possui.
Não fora nada fácil.
Mas, valeu a pena!
Valeu cada lágrima, cada angústia.
Hoje sou forte, de tamanho e sentimento.
Sou ser grande, capaz de suportar fardos mais pesados.
E parte disso eu devo ao que me ofertara.
Agradeço-lhe, meu velho, por ter me amado.
Ao seu modo...
Como aprendeu a amar, lá na infância.
Talvez amanhã Deus lhe leve.
Ou me leve.
Saiba, pois, que continuarei a lhe cuidar d’alma.
Para que a luz e a paz que me cercam
Estejam sempre em busca de lhe iluminar.
É minha missão.
Uma delas, eu sei.
E irei cumpri-la a custo qualquer.
Pois ser grato é uma das maiores virtudes
Que se pode carregar no espírito...

Ponto Final



Tivera vida difícil.
E hoje já não acredita em sonhos.
Desistiu de caminhar os próprios passos.
Prefere pedir a Deus o fim da trajetória.
Entre um gole e outros tantos,
Já não se lembra mais direito seus atos.
Não recorda sua felicidade vivida.
Nem se preocupa em felicitar mais ninguém.
Alheio a críticas, ao mundo lá fora,
Prefere amargar sua falta de sorte no copo de destilado.
Para depois adormecer horrores, dias e dias.
Sabe que tem pouco tempo.
E não se preocupa em fazer desse tempo recanto dos perdões.
Não se arrepende de nada.
Por não saber chegar até Deus.
Autossuficiente quase todo o tempo,
Não esperou na Força Maior a salvação de su’alma.
E agora, à beira do abismo, também não pode esperar.
Sabe que não será atendido.
Pelo menos, não tão já.
Cabisbaixo, sabe que sua jornada não foi completa.
Voltará para novos resgates, novas existências.
Com o intuito de se fazer renovar.
Não acredita no amor.
Não sabe amar, senão de forma bruta.
Com poeira no coração.
Com correntes por toda a alma.
Acorrentou-se, fora acorrentado.
E, mesmo sem os grilhões a lhe ferir os pés,
Não é capaz de auto sustentar-se.
Precisa de paz.
Precisa de uma segurança que não tem.
Precisa de afirmação que é especial.
Ao seu modo.
Simples e sem frescura.
Não sabe a que veio.
Nem se voltará amanhã à Terra d’Alma.
De onde viera, saberá quando for.
Num longo processo de resgate,
Pelo qual perambulará rumo à paz do espírito.
Seus olhos escondem seu fracasso.
Não gosta de mostrar que não soube ser homem.
Foi menino arteiro, carteiro e mensageiro.
Da maneira que soube ser, foi o que pôde.
E não pode ecoar sua falta de poder.
Austero, quis ser mais; quase o que houvera sido tempos antes.
Mas, o destino não quis que o fizesse.
E debateu-se em duelo com sua arrogância subconsciente.
Duelou por longos períodos,
Até não mais poder lutar contra as próprias forças.
E, vencido pela própria consciência,
Caiu de joelhos à frente do abismo.
Está prestes a pular.
Será seu salto final.
Pois não haverá trampolim, lá embaixo.
E com asas feridas e atrofiadas,
Tampouco saberá alçar voo...
Ao ponto de ascender-se tanto.
O tempo passou para todos.
E para ele também.
Sua velhice lhe dói.
E suas escolhas lhe sufocam o ser.
Espera um dia se salvar.
Por hora, senta e chora por dentro.
Enquanto sorve um gole gelado de conhaque puro.
Sentado no balcão do bar mais vagabundo da cidadela em que vive...

Especial...



Arrepia meus poros, todos.
Ouriça meus pelos, todos.
Atiça meus sentidos, meus instintos.
Faz da menina grande, grande mulher.
Da mulher simples, excepcional.
Especializa minha capacidade de satisfazer.
Satisfaz minha especialidade em perder o controle.
Descontrola meus pensares.
Desorganiza minhas ideias.
Bagunça meus lençóis.
E ainda adormece comigo!
Num sono tranquilo, calminho.
Com direito a sussurro baixinho
De um “você é especial!”.
Especial talvez eu seja, mas não me veja.
Não me veja assim toda diferente.
Por crer no amor, carente, quase todo o tempo.
A carência amorosa é parte da sedução.
Seduz meus instintos.
E sequestra meus quereres próprios.
Para que, refém, satisfaça seus anseios todos.
Assim, sem pressa.
Com sabor de bala de caramelo.
Põe-me no canto da boca, da língua,
E sente macia cada sensação minha.
O contorcer do corpo, o desconectar-me do mundo...
O satisfazer a mim e a você,
Esperando a excitação maior mútua.
Excita meu corpo.
Invade minh’alma.
Faz morada em meu espírito.
Sem rodeio algum.
Sem receio qualquer a desviar o seduzir.
Uma sedução levemente estratégica.
Um querer altamente recíproco.
Sabe me domar, me dominar.
E depois me fazer adormecer,
Remexendo em meus cabelos, suave...
Dizendo baixinho que sou sua, como você é meu!

Enquanto você estiver!...



Posso me esquecer de meus anos de vida.
Mas, enquanto eu lembrar seu aniversário comemorarei.
Posso me esquecer do dia em que tomei banho de chuva, pela última vez.
Todavia, enquanto eu souber o caminho do seu arco-íris estarei feliz.
Posso me esquecer de comemorar Natal, Ano Bom ou Dia da Independência.
Contudo, enquanto me recordar do dia do nosso primeiro beijo, acreditarei na felicidade.
Posso me desmemoriar quanto à minha saúde.
Porém, enquanto eu enxergar sua carteirinha médica com meus olhos, eu lhe cuidarei.
Posso não me recordar de como se atravessa a rua.
Não obstante, se você me der a mão, eu me arriscarei a atravessá-la.
Eu posso não me lembrar do meu nome, minha música preferida, minha sobremesa predileta...
Mas, sei que não me esquecerei de quantas letras levam para formar sua sonoridade nomenclaturada.
Nem tampouco qual é seu melhor paladar.
E menos ainda quais são seus medos mais terríveis.
Não me deixarei esquecer.
Por querer manter na alma sua essência.
Por querer alimentar em mim cada lembrança vivida ao seu lado.
Todas muito especiais.
Únicas e inesquecíveis.
Quero me recordar do seu perfume preferido.
De quantos minutos do relógio usa com o banho do dia a dia.
Do seu sorriso sem motivo para fazê-lo.
Do seu carinho em meu cocuruto, antes de eu adormecer.
Quero me recordar das conversas ditas debaixo do cobertor, num domingo de manhã acinzentado.
Dos banhos de mangueira ganhos em dia de lavar quintal.
Dos banhos de chuveiro a dois.
Dos almoços, doa jantares, dos cafés da manhã...
Simples e sem empetecamentos.
Ou para comemorar mais um mês juntos.
Quero me concentrar em cada detalhe.
Para quando a pele enflacidar-se, não me esquecer de nada que fora importante.
Posso não me recordar meu próprio nome.
Nem me reconhecer frente ao espelho.
Mas, enquanto segurar sua mão saberei
Que estou segura, que posso ousar dar um passo ou outro.
E mais, que ainda estou viva.
Em carne, osso e sentimento.
Depois disso, enterre meus ossos,
Pois já não mais saberei o porquê de eu estar aqui embaixo...

domingo, 15 de junho de 2014

Tempo Perdido



Como pode me cobrar verdades,
Se não ao menos é verdadeiro consigo mesmo?
Como pode me invadir a madrugada em busca de explicações?
É absurdo tal disparate!
Invade minha noite mal dormida, com chuva,
E se põe a me desafiar com o olhar...
Como se fosse se lembrar, depois!
Duvido que lembre ou questione.
Duvido até que me tenha passado em sua memória, em algum momento.
Dono de uma incógnita mental e fisionômica,
É capaz de deixar qualquer um à sua mercê.
Intensifica com o olhar.
Mas, desorienta com sua fala qualquer.
Diz ser dono da felicidade.
E denota ser pobre dela, em cada expressão facial.
E depois me vem com toda a destreza do mundo,
Cobrando minhas falsas verdades?!
Impossível não rir.
Impossível não questionar sua invasão.
Ser intruso em meio a algo que não mais lhe pertence!
É despautério entrar, encontrar...
Dizer que a saudade está presente!
Nunca demonstrara nenhum cisco de interesse!
Fui mais um nome, de mais um flerte qualquer seu...
Fui seu brinquedo da época.
Mas, o brinquedo se quebrou.
Ou criou vida própria, e saiu andando.
Saiba você que odeio ser questionada!
Como boa ariana, questiono eu!
As respostas têm de ser minhas!
E as meia-respostas também.
Para que eu as controle.
Ao meu modo, impulsivo ou retraído de ser.
Vem, invade minha friagem e ainda me questiona verdades?
Faz-me rir com sua atitude.
Acho um pouco tarde para tal.
O tempo passou e você perdeu baby!
Agora quanto às saudades...
Ah! Mande-me elas por correspondência.
Garanto-lhe guardá-las na caixinha de correio...

Na goela... A dúvida!



Pode ecoar ao mundo sua felicidade.
Mas, enquanto meu coração não sentir verdadeiramente sua afirmação,
Seu eco me soará todo falso.
Impossível ter esquecido os pequenos detalhes!
Impossível ter deixado o tempo levar meu olhar abrilhantado de sua memória.
Não creio nesse poder.
Nessa falta de memória e carinho.
Conheci um pouco de su’alma.
E jamais poderia acreditar nessa falta toda.
De uma simplicidade exacerbada,
Que talvez isso nos afastado.
Sempre fui diferente.
Sempre gostei do ar refinado da vida.
E você, não.
Um teto mal acabado e uns trocados lhe eram suficiente.
Diferente a mim.
Não me vejo luxuosa, veja bem!
Contudo, não é uma cabana mal construída que me encanta!
E talvez tenha sido isso a nos afastar.
Destinadamente.
Dizem que cada coisa tem seu quê de ajuste.
E, por mais que eu tenha quisto ajustá-lo à minha órbita,
Não foi bem isso que houvera.
Você foi simples demais para a ocasião.
Foi pequenino demais e sem embrulho.
Veio doce, quase ursinho.
E foi embora da mesma forma.
Com aquele brilho no olhar de paralisar.
E aquele sorriso enigmático na face.
Sempre fora assim.
E assim será.
Jamais chegarei até você.
Jamais ultrapassarei  sua barreira de energia.
Jamais penetrarei em seus pensamentos.
A distância que nos segue é enorme demais...
Quase intergaláctica!
Talvez seja melhor assim.
Talvez eu aprenda a lhe sentir menos, em dias de choro na goela.
Embora não creia no seu esquecimento todo.
O destino se incumbiu certeiro ao lhe tirar de mim.
Não sei se o agradeço.
Se lhe desejo felicidades.
Ou se sento naquela cadeira, no fundo do quintal,
E martelo o restinho das boas recordações que teimam em estar aqui, vez ou outra.
Um dia saberei a resposta.
E me porei a contemplá-la, por ter sido a mais acertada alternativa.
Ou não.
Quem sabe?
Eu não sei.
Você não me deixa saber...


Fuga



Venho fugindo de meu passado como o diabo da cruz.
E ele teima em me atormentar.
À noite, em especial.
Enquanto todos dormem, eu me questiono.
Questiono porque me importo, ainda.
Se não se importa, nunca se importou!
Procuro as melhores respostas, mas nada!
Nem respostas, nem compreensão.
No fundo, sei que jamais compreenderei.
Talvez tenha sido mero questionamento bobo meu.
Só meu.
Passível a gargalhadas suas.
Coisa de gente que ainda acredita...
Acredita em que, mesmo?
Talvez eu creia demais na reciprocidade.
Quando ela nem exista todo o tempo.
Vivo fugindo do passado.
Como fujo das lembranças que teimam estar aqui.
Fecho meus olhos, rezo e espero.
Que Deus me perdoe.
Que eu consiga acordar, sem me lembrar de seu rosto.
Que eu respire fundo e ecoe:

“Enfim, libertei-me!”...

sábado, 14 de junho de 2014

Acima das Nuvens




Névoa que encobre meus pés, na madrugada.
Estou de pés descalços, à beira da estrada.
Decidi deixar para trás tudo o que não servia.
E, apenas com uma bolsa pequena, fechei a porta e saí.
O rumo é do vento...
É ele quem me carrega, dia a dia.
Escolhi deixar o passado que não mais me encantava.
E buscar a tão sonhada felicidade.
Na cabeça, o nevoeiro e alguns gafanhotos.
Tudo confuso demais para que me cobrem decisões tão precisas.
Na verdade, a precisão não é das minhas qualidades.
Navego ao sabor da maré.
E, embora digam que navegar é preciso,
Deixar-se levar pelas ondas também é viver.
Sem pressa ou preocupações.
Afinal, o viver pode acabar logo ali, num dobrar de esquina.
Então, me pego observando mais nuvens,
Formando criaturas, caricaturas em meio a elas.
Coisa de quem não deixou a criança d’alma morrer dentro do peito.
Coisa de quem ainda acredita em sonhos.
Afinal, o que seríamos de nós sem eles?
Um emaranhado de vasos sanguíneos e neurônios todos mecanizados.
Sem magia alguma a encantar e embelezar a vida.
Decidi buscar minha felicidade.
Absoluta e sem desejos alheios.
Sou dona do meu nariz.
E sou eu quem deve respirar o meu ar!
Apenas eu.
Sutil ou ferozmente.
Ensandecida ou toda cheia de recatos.
Ser capitã da própria vida é navegar de olhos fechados.
Por saber de cor o caminho a percorrer.
E para não perder a surpresa no final do trajeto.
Cavalgar com as próprias rédeas,
Farejar com as próprias narinas,
É sem dúvida a melhor sensação!
E é para ela a quem quero me dedicar.
Quero sorrir mais gargalhadas escandalosas.
Chorar todas as lágrimas de que tiver vontade.
Tomar banho de chuva no quintal, depois de um dia cheio.
Fotografar gatinhos, paisagens e tempestades.
Quero acordar ao meio-dia.
E adormecer com as estrelas lá no céu, brilhando.
Bebericar suco de groselha e pintar a língua de rosa.
Ser criança aos vinte e poucos,
Adolescente aos quarenta e tantos,
Jovem criatura aos oitenta e muitos...
Quero sapecar beijo roubado.
Dançarolar todo agarrado.
Cantarolar a música preferida.
E estender os braços à loucura da felicidade.
Quero tudo o que for meu.
Embrulhado para presente, bem enfeitado.
Agora a estrada é outra.
E eu, também sou outra.
Com desejos novos.
Com devaneios vários.
E com os pulmões prontos a inalar novos ares.
E assim será, de agora em diante.
Um voo atrás do outro,
Rumo a namorar a felicidade lá, bem acima das nuvens...

sábado, 7 de junho de 2014

Marina, Mariana...



Levava vida de princesa.
Mas seu maior desejo era outro.
Observava os cartazes das moçoilas de cabaré.
Seu sonho era atuar.
Da maneira que fosse.
Com chapéu.de pena no canto da cabeça.
Ou com meio fraque e cartola de cetim.
De pernas de fora, numa meia arrastão.
No salto e no batom cor de escarlate.
Via nessa ansiedade a chance de mudar de vida.
Tinha vida bacana, vestidos de bom corte.
Na gola, um broche por dia.
Nas mãos, as luvas de renda que mamãe fazia.
Sabia dos afazeres domésticos como mestra.
Todavia, seu sonho era o estrelato.
Sonhava com o canhão de luz iluminando suas pedrarias.
Bordar já sabia.
Era toda cheia de predicados.
Porém, tinha que manter a pose.
Era filha de família tradicional.
Com pai banqueiro e mãe, dama da sociedade paulistana.
Seu nome era doce, Mariana.
Entretanto, queria que a chamassem de Marina.
Mentalmente, chamava-se assim.
Pensava ser mais imponente do que seu nome de batismo.
No fundo, sentia-se presa.
Prisioneira de um recato que não pertencia à sua alma.
Queria voar, sair do chão.
Interpretar dependurada num balanço todo pueril.
Ou recostada num cenário todo rústico.
Trouxe sabe-se Deus de onde esse desejo todo.
Queria ser outra.
Ter uma vida com mais aventura.
Guardada a sete chaves para o casamento futuro,
Queria mais era desaprisionar-se!
Algo que fosse maior do que ir a eventos beneficentes, feito menina-moça bem educada.
Ou servir de parte receptora de sêmen, no momento do sexo.
Queria ousar, descabelar, despudorar.
Trazia isso consigo, intimamente.
E queria pô-lo para fora.
No entanto, seria taxada como louca ensandecida.
E talvez lhe trancafiassem mais ainda,
No sanatório do outro lado da cidade.
Oh! Pobre menina dos sonhos descabidos!
Talvez nunca houvesse conseguido realizá-los.
Ao menos que tenha fugido.
O final da história não posso eu dizer.
Afinal, não mais a vi.
Desde que cruzei com seus olhos,
Enquanto seguia, cabisbaixa, para sua aula de piano.
Ela me olhou e eu retribui.
Apenas olhou, e eu a fiquei observando.
Sentindo seu pedido de socorro abafado.
Ela se foi e adentrou à porta do sobrado de pedra.
E eu, sentado na porta da padaria de Pedro, lhe sorri com os olhos.
Não esbocei palavra alguma.
Mas, sei que ele sentiu que meu maior desejo
Era tirá-la de sua angústia.
É pena que ela não mais tenha aparecido por lá...