um pouco mais sobre mim...

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Casada, escritora, com a alma rodeada de perguntas... Amo meu marido, minha família e meus animais de estimação. Sou um pouco ansiosa, gosto de tudo o que faz bem. Amo escrever... Isso faz de mim elo com os sentimentos que me consomem e que vagam por entre as pessoas. Sou uma pessoa extremamente intuitiva, que adora ouvir música (extremamente seletiva quanto a isso), que ama escrever, que faz do amor sua fonte de energia vital... Sempre!

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Medo & Pecado


Diz que eu tenho medo. Mas, você tem tanto medo quanto eu. Você tem medo das minhas palavras. Tem medo da sensação que lhe causo, mesmo distante. 
Algo pavoroso. E que faísca,  sem querer. Ou querendo. Um medo que assusta e faz rir, tudo ao mesmo tempo. 
Causo-lhe medo e excitação.  Ousadia e covardia, com ou sem rimas a enfeitar.  E isso tudo é muito vivo, aqui. E aí,  na sua pele... Que sempre arrepia quando ouve minha voz lhe dizendo que sinto saudades... Saudades de tanta coisa, toda a imaginação fértil!  
Uma saudade que chama minh’alma às duas, às quatorze... Enquanto durmo ou trabalho!  Enquanto vivo o frenesi da minha loucura diária ou mais, enquanto ilusiono você sobre mim, ofegante e suando em bica! 
O sobretudo está no armário,  solitário.  E dentro do peito um misto de ardor e receio confundem meu juízo.  O pouco juízo que ainda me resta, depois ter ardido em chamas debaixo do cobertor, pensando no quão bom seria ter você aqui, junto à minha pele perfumada às notas adocicadas de um importado.
Posso tentar fugir. Pode buscar nunca mais me querer. Todavia,  a sintonia é absoluta! E imperativa. Não precisa de complementos. Nem de adjuntos adnominais. Somos você e eu.  Mesmo que existam incontáveis pessoas a compor a história.  
Assim é.  E assim será!  Porque a pele ouriça e a saliva guarda o sabor gelado do meu halls. Tão negro quanto meus pensamentos. Tão pecaminosos quantos meus quereres, em relação a nós dois!
Foge de mim como o diabo da cruz. Porém,  já lhe aviso de antemão : é inevitável sentir-me ! Estou aqui, aí  e onde quer que você quer que queira que eu esteja, perto ... Sentindo. Ou distante, na imaginação fértil de uma alma adulta e pecaminosa!


sexta-feira, 24 de março de 2017

Dia de saudade...



Posso tentar fugir de você.  De mim. Mas, não do que sinto. Do que me perturba, de tempos em tempos.
É algo absolutamente sem pudor. É pecado. É absurdo. Porém  está tudo aqui, dentro do peito. Fervilhando nas veias, alvéolos e capilares. Sem precisar de nenhum toque. Sem precisar de uma palavra sequer.
Porque isso me acontece?  Porque deixo seu pensamento me chamar, em meio à noite fria e acinzentada?
Queria definir. Queria não precisar definir nada, sei lá!  Contudo, minha covardia é maior do que o que me proponho a sentir. Mesmo quando às duas da manhã me pego ilusionando cenas de nós dois.
Ilusiono e desmaio sobre o querer. Por estar cansada de ser sua segunda opção,  sua válvula de escape. 
Talvez por isso tanta covardia.  Tanta  reluta com algo que é bom, mas que não acrescenta tanto quanto eu queria.
São dias de saudade. E eu, boba, ainda lhe espero chegar com flores e bombons... Mesmo que isso tudo não passe de algo esporádico, quase surreal.
Espero você.  Com o coração aberto a mim. E predisposto a pôr-me no quadro, no centro de sua sala e de suas ideias... 

domingo, 26 de fevereiro de 2017

Conhecedores & Idiotas




É preciso ser racional. É preciso saber das coisas. É preciso ser preciso, É preciso ser imortal!
Mas, quando há precisão dos saberes, não se pode precisar. Não se deve olhar o mundo com sentimentos humanos. Somente com olhares técnicos, impossíveis de errar! Caso erremos, somos imprecisos e indecisos... Deveríamos ter analisado tudo com um modo quase que sobrenatural, de tão mecanizado!
E até quando teremos que seguir as regras, para sermos considerados bons? Até explodirmos numa fúria inesperada, taxada de estresse do cotidiano?
Vivemos amarrados a decisões que não firam os outros, que não saiam do rotineiro, para que não cause estranheza e aspereza alguma em quem nos cerca.
E enquanto isso somos engolidos por nossa própria consciência. Vivemos duelando com o que aprendemos como certo na infância - e que de nada serve na fase adulta. Somos ignorantes, ignorados em cada conhecimento a mais que possuímos. Devemos ser como a maioria, que mal sabe para que serve o dicionário, além de peso-de-porta.
Somos vistos e bem-quistos à medida da necessidade alheia. Se somos úteis, muito que bem. Se não o somos, podemos ser rapidamente substituídos por qualquer outra máquina imbecil, capaz de não sobrecarregar as suas emergias, que seja capaz de apertar os botões de start/ delete, nada além disso.Porque se essa máquina imbecil souber para que serve o F5, ela será audaciosa demais para ser humana. Deve ser contida à sua relevância inútil, para qual fora designada. 
Vivemos em um mundo onde a palavra é inerte. Deve permanecer imóvel, sem que seja notada como algo a mais a acrescentar. O acréscimo é inútil,. idiota!
E são os idiotas que resolvem os problemas, que salvam o dia dos bons homens, cheios de razão! São os imbecis que sabem mais do que deveriam, que ensinam como fazer as coisas pelo caminho certo, sem demorar horas lendo manuais e relatórios de como se faz isso ou aquilo! São os irracionais que acabam pondo tudo sobre a mesa, pronto, em cinco minutos após o pedido...
Os irracionais idiotas que fazem o que os bons de boca se acham no direito de mandar e desmandar... Porque só dizer "FAÇA!" é tão pequeno quanto lamber o próprio nariz, em frente ao espelho. É algo sem valor, porque o valor das coisas vai no tostão que se tem, no nariz que se empina, no conhecimento que se acha que tem... Porque sabe-se ler uma bula de xarope.
Quero ver esses mesmos boazudos racionais conseguirem decifrar incógnitas, enigmas ou interpretar algo que não o próprio receituário?
Isso é parte do trabalho dos que irracionalmente aprendem que ou se faz tudo com excelência e com o coração; ou nos propomos a fazer nada, além de fezes no vaso sanitário, às seis da matina!!!

Asilos






Vivo exilada em meu asilo.  Cheio de traças e de paredes por pintar, por repintar,  descascadas pelo tempo. 
São tantas memórias guardadas em retratos antigos que não posso contar todos! Tudo junto, coberto pela poeira da espera. Sou retalhos de um tudo vivido, sentido na pele e na alma. Sou colcha antiga, de matelassê, com bolinhas de poá . Esticada na cama, olhando o teto branco de forro aparelhado . E relembrando uma vida toda, sorrindo de canto de lábio, por vezes. 
Mas, há também momentos onde a lágrima vai, discreta. Como que para hidratar a cútis. Para embelezar as rugas já formadas. 
Vivemos em asilos. Interiores ou exteriores,  tanto faz. Vivemos com medos que nos afogam. Com esperanças remotas de sermos felizes, todo o tempo.  Contudo, a mão trêmula que pede em oração a tranquilidade,  escreve memórias dos tempos de juventude.  Com a mesma naturalidade dos tempos de menina moça,  onde o rubor da face é característica ímpar no tempo da conquista. 
Rugas que se misturam com as memórias.  Memórias que, remotas,  fantasiam um final feliz. 
O final feliz talvez venha.  Talvez já tenha chegado,  e não tenha sido percebido. 
Hoje tanto faz. Pouca diferença fará nas histórias a contar, inúmeras vezes,  como vitrola enroscada,  com a agulha de diamante pulando no risco do disco de marchinhas de Carnaval ou bolero das antigas. 
A calmaria do vento adentrando pela fresta da janela é quase tão mortal quanto a solidão que me afronta. Confunde, perturba e tira o sono, às três da manhã... Bem na hora da descida dos anjos. Isso talvez faça com que eles, os anjos, me vejam  como alguém que merece subir aos céus,  depois que tudo acabar. 
E eu não sei quando tudo acabará.  É frustrante demais esperar o término,  como  a esperança de um amor que nunca chega. Que ficou parado no meio do caminho,  se decidindo se ia ou voltada para o posto de descanso. 
Vivo ilhada em meus projetos inacabados.  E talvez acabar com essa frescura psiquiátrica seja o pontapé para a liberdade de espírito,  depois de uma vida enfadonha e despretensiosa. . . 

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

O que aconteceu depois?


O que aconteceu naquele dia?
O que aconteceu quando você me olhava por onde eu andava, naquele lugar onde não existe mais?
O que aconteceu quando você me chamou pra dançar, sem nunca sair do lugar?
Dançamos,  nos trombamos por aí a fim um do outro, sem compromisso selado, sem contrato.
E o que aconteceu quando a gente se perdeu ? 
Vieram outros no lugar, mas só um conseguiu ficar...
No seu lugar.
Será? 
Ainda sinto seu abraço apertado, desejado, colado.
Abraço de minutos e anos atrás ..
Nunca muda.
Sempre presente, ao tempo, resistente 
Cobrindo buracos, preenchendo ego e noites .
Desejando e desejado.
O que faço ?
Como eu vou fazer pra te deixar?
Livre dos meus pensamentos!
Livre das minhas memórias de onde não sai seu endereço. .
O que eu faço? 
Se depois de anos... Nesse instante, o que desejo é seu abraço. ..?

27/01 - 1:46h – Jéssica Chrispim

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Desengasgo...



Tão difícil ser forte todo o tempo... Em um tempo de partida, de solidão de alma,  de término de vida.
Ele está na minha frente, por um fio. E eu tenho que não deixar a lágrima cair por decreto nenhum! Tenho que mostrar a ele uma força que nem sei se existe.
A boca trêmula lê a mensagem de oração recebida à beira do fim. E eu engasgo ao lê-la, enquanto tento acalmar a todos.
São tantos nós na garganta! Que acho que morrerei eu, engasgada! 
Eu preciso ser forte. Acreditar realmente em tudo o que sempre busquei como vida e morte... Mas, é completamente diferente do que eu imaginava vivenciar.
Ele adormece, já sofrendo as dores do mundo. E eu estou aqui, de frente a tudo. Esperando o momento seguinte. Com todas as dúvidas possíveis . Com todo o amor no coração! 
Porque o amor é assim... Permanece pendurado nas lágrimas . Mas, com um sorriso no rosto, mostrando uma força que a gente nem imagina de onde vem!
Passaram-se alguns dias... E ele, se foi. Deixou para trás suas dores, Seus traumas,  sua austeridade.  Foi pedindo para ser bem recebido. Para deixar de sofrer. Deixou-nos saudosos de sua inteligência, de suas partes boas. 
Carregou no peito um amor torto. Porém,  o melhor amor que aprendeu a dar. Porque doamos ao próximo conforme o que aprendemos a receber. Por vezes, até mais do que recebemos.
Contudo, ele preferiu dosar sua vida, seus amores e princípios nas cinzas de um maço de cigarros, num copo de destilado ou de cerveja. E foi desistindo de ser feliz.
Hoje, já se vão dezesseis dias de sua partida. A saudade dói, lá no fundo. Vai doer, por um tempo sem quantia exata. A vida segue seu curso, na certeza de que um dia nos reencontraremos. Para continuarmos a lapidar esse amor todo. Para fazermos de nós,  seres melhores do que somos hoje.
E é só o que temos por hora: saudades, lembranças e fé na continuação.  Porque tudo continua como antes,  com exceção de seus olhos negros pedindo ajuda, mostrando seu amor torto, porém amor... 

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Saudade!



Talvez você não acredite, mas tudo de você ainda permanece aqui, a sua espera.
Já se passaram meses. E tudo aqui segue exatamente igual: os livros, os discos, suas coleções em miniaturas, as caixinhas de chicletes. Absolutamente tudo está aqui. Como você deixou quando se foi.
E às quintas-feiras são piores. Pois me trazem de volta cada lembrança, cada expectativa em viver de novo os momentos tantos, guardados na memória.
As quintas lembram como éramos felizes, sem precisarmos fingir a satisfação em termos um ao outro. Éramos felizes e ponto! Com nossas manias. Com nossas caretas, com os apelidos carinhosos.
E confesso que isso tudo me falta uma falta tremenda!
Segurar a certeza de que não mais lhe verei é tão dolorido quanto dor de dente no sábado. Porque não quem socorra.
Você se foi cedo demais. Antes mesmo de completar quarenta. E eu fiquei sem, saber o que fazer. 
Hoje, às quintas à noite, saio para jantar no mesmo restaurante em que pedíamos fritas e refrigerantes. Onde bebíamos vinhos saborosos, não tenho satisfação em ir sozinha. E não há a menor pretensão em substituir a companhia a outra taça de tinto.
Porque dói. E enquanto doer, seremos eu e suas lembranças. Mesmo que nas quintas-feiras elas estejam mais absurdas, tentando sufocar o pouco de esperança em receber uma carta debaixo da porta, vinda por mãos estranhamente iluminadas, dizendo que, apesar de tudo, estamos bem; que a vida segue com você aqui, ao lado, sempre!