um pouco mais sobre mim...

Minha foto
Casada, escritora, com a alma rodeada de perguntas... Amo meu marido, minha família e meus animais de estimação. Sou um pouco ansiosa, gosto de tudo o que faz bem. Amo escrever... Isso faz de mim elo com os sentimentos que me consomem e que vagam por entre as pessoas. Sou uma pessoa extremamente intuitiva, que adora ouvir música (extremamente seletiva quanto a isso), que ama escrever, que faz do amor sua fonte de energia vital... Sempre!

domingo, 27 de abril de 2014

Breu & Inspiração



Não gosto do raiar do dia.
Fico sem inspiração.
O clarear da manhã, ao contrário da maioria, me entristece.
É um começar tudo de novo.
Um alvoroçar a alma, pelo barulho todo.
E eu sou amante do silêncio.
Da voz baixinha, do som no volume mínimo.
Para ser apreciado, suavemente.
O brotar dos raios do sol no horizonte empalidecem meu sonhar.
E eu sou toda sonhos.
Sou da imaginação navegante.
E navegar de dia definitivamente é sem graça!
Não há aquele brilho todo das estrelas a guiar o caminho dos sonhos.
Amo o fim do dia, a noite toda!
O findar de mais uma etapa...
O descanso do corpo exausto.
O fechar dos olhos, de lado, na cama.
A eterna viagem astral que a alma dá.
Sou amante das letras.
E minhas melhores intitulações se fizeram no meio da madrugada.
Em especial, com um cobertor cobrindo as pernas.
E um copo de leite gelado puro, ao lado, na escrivaninha.
Amo as músicas da madrugada.
Suaves, acalmam o coração em dias de aflição.
Fazem curativo nas feridas mal cicatrizadas.
Fazem companhia em noites de solidão.
Depressiva ou por falta de um alguém.
A noite, o findar do dia fazem um bem danado!
Revigoram e reestruturam qualquer restinho de viver.
Esmigalhado pelas horas do dia.
Pelo menos é o que eu acho, o que eu vejo.
Sinto a leveza abraçada à loucura
Toda vez que a lua vem bailar arredondada no céu.
E isso é especial.
É anormal para a maioria.
É altamente fascinante.
Para mim.
Para quem, como eu, prefere o breu da rua gelada, em compridas noites de inverno.

Confusão, vez em quando...



Sei de coisas que até Deus duvida.
E duvido de coisas que até Deus sabe.
Sou da inconstância, certas horas.
E das convicções absolutas em outros momentos.
Todavia, carrego comigo duas virtudes peculiares.
O amor como fonte de existir.
E o refinado trato para com p que meus olhos veem.
Vejo isso como virtudes, como minhas virtudes!
Isso talvez possa não lhe fazer diferença.
Mas, faço toda a diferença quanto ao seu modo de me ver.
Não destrato, nem obrigo.
Justifico meu varal de ideias
À medida que ponho no papel as palavras.
Fecho meus olhos e deixo...
Deixo a mão correr na folha branca,
Traduzindo cada querer, por menor que ele seja!
Fujo de mim, certas horas.
Noutras, adentro às minhas próprias fantasias.
E como fantasio Deus!
Amo muito tudo isso!
Procurar desenho em nuvem, admirar o luar hipnotizador no meio do céu estrelado.
São pequeninas atitudes que me inspiram.
Mas, não é toda inspiração.
O inspirar caminha comigo, mesmo em dias de dor.
Faço do sofrimento força para continuar.
E magicamente, continuo.
Um pouco melancólica, mas continuo.
A melancolia é parceira da loucura.
Ou seria o medo seu melhor amigo?
Um do lado do outro, é trio bom para dias de confusão mental.
E esses dias sempre vêm até nós.
Não adianta bater no peito atitude contrária.
Há dias em que tudo o que precisamos é daquele colo.
Aquele travesseiro gigante, aquela cama macia,
Para recostar as dúvidas.
Luz apagada e talvez a mais suave das canções.
E são tantas dúvidas a confundir!
Somos postos em xeque todos os dias, de todos os lados.
Há dias em que damos aquela rebolada, para readoçar a vida.
E há dias em que azedamos o dia, por mais açúcar que comamos.
E tem hora em que ser azedume é a única alternativa.
A alternativa certeira para mostrar ao mundo que, caso precise, sabemos morder!
A mordida nem sempre machuca demais.
Serve apenas para lembrar que dói e fere.
E que se preciso será usada!
Mas, talvez hoje não seja preciso morder...
Um pequenino ponto de exclamação e pronto!
Tudo volta ao que deveria ser.
Sei de muitas coisas.
E duvido também de outras tantas.
Questiono ou, ao menos, tento.
Quando acho conveniente questionar.
Caso contrário, um questionamento mental está de bom tamanho.
E assim vou levando os dias, um depois do outro.
Duvidando, acreditando...
Vendo até que ponto eu vou ou fico onde estou.  

sábado, 26 de abril de 2014

Doce Maldade



Posso me desdobrar em elogios à hora que quiser.
Basta apenas que estale os dedos.
Que me chame com o indicador.
Posso não ir correndo.
Mas, prometo estar aí antes mesmo do seu piscar d’olhos.
Assim, rapidinho.
Num tele transporte de última geração.
Posso satisfazer seu desejo mais profundo.
Contudo, deve estar atento aos meus caprichos.
Gosto de uma boa dose deles.
Regados a vinho e flores.
A chocolate e prazeres.
Num jogo de morde e assopra, posso enfeitiçar sua cabeça.
E você precisa saber que isso é verdade!
É preciso querer.
É preciso buscar em pensamento.
Sou boa em decifrar pensamentos.
Expert em ouvir sonhos alheios.
Em especial os que tiram o sono.
Aprendi a decodificar imagens sobrepostas.
A fim de melhorá-las a meu bel-prazer.
Sou caprichosa.
Por ser e por querer ser.
Dona de rodeios e devaneios.
De auréolas e tridentes a colecionar.
Coleciono bondades e maldades em gavetas.
Todas muito bem organizadas, nome a nome.
E decoro quase todos.
Ao menos, os mais inesquecíveis.
Aqueles especiais, com pitada de revival.
Revivo-os sempre que a imaginação pede.
Em minha memória sou dona de todos os meus casos.
Não coleciono casos, tanto assim.
Vivo conforme pede minh’alma.
E me entrego em pedacinhos.
Faço de mim pedaços de açúcar cristal.
Para você me sentir em sua boca, salivando.
E amo que me deguste, que me saboreie.
Sou açúcar, chocolate branco em pingos...
Daqueles de se derreter no meio da língua.
Daqueles de se comer devagarzinho, para não acabar.
Basta apenas que me devore.
Que queira me devorar com colherzinha de Danone.
Acordei com uma pitada de maldade no sexo.
E não há melhor forma de expulsá-la do que me unindo a você.
Num querer dilacerado.
Numa conjunção exacerbada de carnes que se faíscam.
Excita minh’alma ao menor sussurro.
Atiça, ouriça e perturba a menos palavra dita, ao telefone.
Enlouquece e me enriquece de todas as maneiras.
Levemente me apaixona...
Por pequenos instantes inesquecíveis.
Passíveis a um pedido de repeteco.
Cola o seu corpo no meu.
Lambe minha seiva mais profunda.
Leva-me ao delírio!
Há maldades que são perdoáveis.
E você, em meu contexto mais diabólico, certamente é uma delas.
E se não for para o céu por causa disso...
Que se dane São Pedro!
Faço uma confraternização com sua alma lá do lado de baixo do mundo!...

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Migalhas



Errar por amor Deus perdoa!
Já cantou Djavan.
E eu vou errando, esperando-te...
Como se não houvesse perdão.
Canso de te esperar em dias de nó na garganta.
E juro me vingar da sua falta de interesse.
Mas, basta você estalar os dedos...
E lá estou de novo acreditando nas falsas juras que me oferece.
Acredito por acreditar.
Por querer acreditar em sua lábia.
Fala que fala, faz que faz...
Que, quando vejo, seus lençóis cobrem minha pele.
E satisfeito, adormece do outro lado.
Deixando eu me sentir tão pequenina, quanto burra.
Queria que fosse tudo diferente, mas como?
Se me enreda com seus olhos todo caramelizados, suas mãos em meus cabelos?
Sabe como me convencer a ser escrava, mucama.
Sabe perfeitamente.
Enfeitiça-me a tal ponto de me pôr à espera sua.
E espero, espero...
Por um telegrama numa tarde de domingo.
Por um aceno, num encontro casual.
Contudo, acena quando quer.
Telefona quando não há outra opção.
E jura por mim uma mudança radical.
E eu, boba, acredito no que diz.
Então você vai dizendo e eu, fingindo acreditar.
Como num jogo de gato e rato.
Como marionete e interlocutor-motor.
Vou acreditando sabe-se Deus por que.
E talvez Deus um dia me perdoe.
Pela falta de inteligência.
Pelo excesso de confiança sua.
Por amá-lo absurdamente.
Carrego no peito um amor bandido.
Daqueles de se fugir quando pode.
O duro é não poder torna-lo fugidio.
E eu nem sei até quando isso vai me retardar.
Retardo uma decisão mais concreta.
Retardo uma abertura de visão maior e a novos rumos.
Retardo... Retardo...
Vou atrasando minha vida
Em troca de umas migalhas de sentimento.
Como cão à espera das lasquinhas de pão debaixo da mesa.
Espero as lasquinhas de seu sentimento bom, de seu amor bandido.
Sei que não é meu, e nem será por completo.
É arredio demais para se contentar com um amor maduro.
Prefere as furtivas estripulias num quarto qualquer do caminho.
Mas, eu ainda acredito amar por nós dois!
E enquanto acreditar pode estalar os dedos...
Venho rapidinho satisfazer sua imaturidade de amor.
Contentando-me com suas migalhas,
Com as lasquinhas de você, bandido amor meu.

O amor é arte!



O amor é arte!
Das tão completas, quanto complexas.
E quanta complexidade há em toda forma de amor!
Há complexidade e competência.
Amplitude e experiência.
O campo do sentimento maior entre os homens é tamanho!
Enormemente desvendável...
Basta apenas paciência.
Não se desvenda o amor por pontos cartesianos.
Nem tampouco por cartas de tarô.
É preciso tateá-lo, como deficiente visual.
O amor é arte!
Das maiores já produzidas.
É dança bem ensaiada, teatro bem produzido.
Música muito bem entoada, para impressionar pela beleza.
É poeira recitada com a alma.
De olhos fechados, de cor.
O amor é arte de antigamente.
Feito galanteio, serenata, carta perfumada laçada em cetim fino.
E não deveria jamais perder a formosura!
O encantamento do flerte subentendido.
O odor das rosas rubras envoltas em seda e celofane.
A caixa de felicidade em pequeninos pedaços, embrulhados...
Não deveria o amor ser substituído por qualquer outra coisa!
Pela luxúria do momento de excitação.
Pelo olhar mal intencionado, pela  mão escorregadia da cobiça.
O amor é arte!
E parde seu encanto sendo sexo, somente.
Perde o brilho apaixonado do luar,
Transformando-se só no satélite terrestre a pairar lá no céu.
Perde as estrelas a iluminar o caminho.
E viram elas pedaços de um vidro fajuto, reciclado.
Coisa qualquer de se ver...
Coisa nenhuma a causar impressão!
O amor é arte impressionista.
A primeira impressão sua causada no peito repica pela eternidade.
Faz tudo valer a pena.
Ou a pena jamais querer ter validade.
E então a gente precisa fazer valer cada segundo!
Se não para quem nos assiste, para nossa própria imagem frente ao espelho.
Vivemos em constante ensaio de felicidade.
E o amor é um desses ensaios todos.
Ensaiamos a melhor desenvoltura, para atingir a perfeição.
E, no entanto, há vezes em que a perfeição é inatingível.
Por mais arte que haja.
Por melhor que seja o espetáculo.
Se não acreditarmos na força do sentimento maior humano,
De nada adiantará a busca.
Ela será em vão, certamente.
O amor é arte!
E nós, artistas.
Uns mais experientes e qualificados.
Outros mais retrógrados e um pouco mais vagarosos.
Contudo, a arte do amor é chão de ambiguidade constante.
Chão de terra firme e nuvens a pairar.
Um raio e um arco-íris enfeitando o chover da tarde.
Amor é arte, é experiência, carência, carinho.
E só se torna o homem artista à medida que abre seu coração ao novo.
Experiencie! Exemplifique!
Investigue e ponha em prática!
A arte de amar é bela demais para tão somente contemplá-la.
Torne-se o artista você também!

terça-feira, 15 de abril de 2014

Falsas Verdades



Grudado no pedestal,
Acaricia-o como se fosse o falo a feri-lo.
Espera sua libertação.
Espera poder ecoar ao mundo o quão gosta do seu semelhante.
Tem medo em expor-se.
Tem medo em ser recriminado por sua opção.
Mas, no fundo, se excita ao menor olhar.
Sabe que não pode, mas o faz.
Com toda a naturalidade de um mascar qualquer.
Com toda a excitação de um deus grego cheio de luxúria.
Traz a discrição nas veias.
E a falta dela nos pensamentos.
Pensa, pensa... Confabula...
Cria contos dos mais diversos.
Com direito a anotá-los em seu caderninho secreto.
Carrega-o em sua mochila desde que se compreendeu gente.
E é lá que divide suas melhores e piores histórias.
Já vivenciou alguns sexos de perder a cabeça.
E também já fingiu um êxtase que nem sequer sentira.
É dono de um rosto nada convencional,
D’uma beleza rústica, regada a fetiche.
Com barba levemente rala, cabelo a gel e olhar esverdeado,
Sua postura pouco denota sua forma louca de amar...
Quando na infância, pensou ser só coisa de criança.
Mas, com o passar dos anos, percebeu ser bem mais que uma curiosidade boba.
Aprendeu a devorar com os olhos,
Despir sem arrancar qualquer peça.
E o faz com maestria!
Não é de alma feminina todo o tempo.
Guarda suas performances para as suas quatro paredes.
Não faz o prazer aflorar em qualquer canto.
Prefere a meia luz de seu quarto.
O aconchego da segurança em poder ser a verdade...
Nua e absoluta.
E é lá em que se abre por completo.
Sem medo de recriminações e de qualquer represália de um dia seguinte.
Feito fera no cio, perde toda a compostura...
E captura sua presa, toda ela.
Com braços, pernas, língua e orifícios a ofertar.
Deixa que lhe usem, abusem sem reclamar.
E depois cai de boca, feito sorvete a se deliciar.
Sorve cada gole de vinho junto a cada punhado de êxtase.
Acaricia e se delicia como se estivesse no jardim de infância.
Saltita, excita e provoca.
Instiga, palpita e invoca.
Quer cada vez mais.
Não cobra experiências, nem expectativas.
Prefere aproveitar a quebra de silêncio em meio à madrugada.
Quando ousa, desce à piscina.
E lá termina de explorar sua imaginação.
É de imaginar fértil,
Que se fosse menina já teria germinado sua loucura.
Mas, prefere a meia noite, a meia- luz.
Num jogo de esconde-esconde...
Num eterno desafio de manter as aparências.
Por ser mais prático.
Por gostar do proibido.
Desconfiam sê-lo assim, todo diferente.
Mas, a diferença está nos olhos de quem lhe olha.
E não é de se preocupar com murmurinhos alheios.
Prefere os melhores sussurros, ditos ao pé do ouvido, na hora do sexo.
Não é tão depravado quanto imaginam.
É apenas um menino crescido à procura da felicidade.
E ela, a seu ver, está no falo que lhe toca, fortemente, pela noite afora.
Coisas de quem espera no gozo
A libertação d’uma alma abafada em falsas verdades...

Quer ser meu esta noite?



Trago a você como presente, flores.
Embrulhadas em celofane lilás, minha cor favorita.
No meio um breve cartão convidativo:
“Quer ser meu esta noite?”
Atrás, apenas uma assinatura e um número de telefone.
Estou ansiosa pela resposta, mesmo depois de tantos anos juntos.
Aquelas borboletinhas todas ainda batem asas no estômago, ao senti-lo.
E será sempre assim.
Pela força da cumplicidade.
Pela maldade quase que inexistente.
Somos almas enamoradas desde sempre.
E estamos revivendo tudo de novo, dia após dia.
Sou tão sua como sempre fora.
É tão meu como sempre houvera sido.
Um pertencer mútuo e recíproco.
Recheado por visualizações do outro dentro do olhar.
Olhamo-nos a todo o momento.
Sempre acreditamos no poder do olhar como forma de fortalecimento.
E estamos cada vez mais fortalecidos.
Por crermos na força um do outro.
Por crermos no amor que carregamos n’alma.
E não importa o quão em crise estejamos conosco mesmo.
A união das energias revigora.
Trago-lhe flores em botão.
Todas delicadas, como nosso amor.
Todas perfumadas, como nossa intimidade.
Trago-lhe flores e um pouquinho de ansiedade.
Ansiedade na resposta.
E na surpresa feita.
Quer ser meu esta noite?
Eu lhe receberei em todas elas que eu desfrutar.
Porque é ao seu lado em que ouço as melhores canções,

Em que deixo minh’alma planar lá no céu...

domingo, 13 de abril de 2014

Pretensão





Pode ser pretensão minha,
Mas sei que fecha seus olhos, tentando me buscar em pensamento.
Sinto seu arrepio vindo de longe, vez ou outra.
Em especial em noites de vento na janela.
Sinto seu pensamento me conectar a você.
E como mágica, saio de mim.
Por frações de segundos.
Por longos minutos.
Procura me decifrar sem tatear...
Única e exclusivamente por eu não estar aí em sua frente.
Creio que se eu estivesse uma noite seria pouco!
Faria com que eu perdesse a compostura,
Numa insanidade tamanha, guardada há tempos.
Já deve ter me imaginado fatal e também quase anjo.
Deve ter uma imaginação e tanto!
E confesso que já imaginei, também.
Sem pretensão em concluir.
Por não poder concluir nada, no momento.
Contudo, tem horas em que o pensamento voa longe.
Como por aí deva ser.
Todavia, o silêncio é maior que o desejo.
E a loucura, amiga de infância do medo.
Num jogo de pingue-pongue sinto você e vice-versa.
Mas, é só.
Pudera a noite se transformar em magia!...
Certamente faríamos dela um caldeirão de sensações.
Fervilhando o desejo e a prosa.
Fundindo a excitação à perda das horas do relógio.
Pudera... Pudera!
Mas, magia é magia.
E querer, às vezes, também é só querer.
Foge do contentamento e de qualquer ostentação possível.
Permanece inerte na contemplação platônica do indivíduo.
Segue no idílio louco de uma noite de outono,
Onde o calor dos corpos é a fonte de aquecimento quase que global.
Pode ser pretensão a minha imaginar cada loucura.
Todavia, é tão surreal quanto excitante.
É tão mirabolante quanto sobrenatural.
É mais do que a pele pede.
Mais do que os olhos alcançam.
Mais do que as mãos procuram.
É desejo à flor da pele,
Em pele de lobo faminto.
É brincar de esconde-esconde,
No breu de um quarto aromático, convidativo.
É deixar a imaginação aqui... Ali... Acolá!
É colar o corpo e não desgrudar.
Sugar a seiva, sem germinar.
Morrer em segundos, para depois acordar.
E continuar depois... E depois e depois!
Com ou sem pretensão de acalmar.
É ferver por querer.
Querer escorregar.
Escorregar sem medida.
Medir só de olhar!
É olhar de canto de olho
E baixinho, num sussurro, convidar:
“Sem pretensão quase nenhuma, vem me acompanhar nessa loucura?”


Boneca de Porcelana



Com pele branquinha, porém enrugada levemente,
Os anos quase não lhe passaram.
Aprendeu a driblá-los com maestria.
Sutilmente.
Com aquele sorriso no rosto.
Com aquele calor no coração.
Fez de seu viver doce deslizar dos anos.
Com direito a bailar sob a tristeza.
D’uma fé inabalável.
D’uma alegria cativa.
Fez sempre questão de estar ali, para quem precisasse.
Não hesitou nenhuma ajuda.
E doou pequeninos torrões de seu coração.
A fim de adocicar os seus.
Foi grande mulher, grande mãe e exemplo aos descendentes.
Delicada menina de cabelos brancos e olhos acastanhados.
Pele de pêssego sem qualquer creme a modificar.
Carregada de amor pela vida toda.
E com pequeninos segredos guardados pela vida.
Dona de uma paz de espírito sem tamanho.
E de um aconchego todo disputado.
Seu nome?
São tantos a lhe chamar, que já se esqueceu do de batismo.
Gosta mesmo de ser chamada por boneca.
E é como se sente.
Uma boneca de porcelana toda trabalhada na delicadeza d’alma.
Uma criatura cheia de luminosidade.
Que, ao invés de ofuscar, abraça e envolve que lhe “achegar”...
Menina com idade já lá na frente.
Com missão de vida cumprida.
E aguardando o grande amor de vidas vir buscá-la.
“Já, já ele chega!” – diz ela.
Vem com roupinha branca, feita de nuvem.
Para que continuemos nosso amor...
Doce princesa com sorriso tímido,
A boneca de porcelana é toda festa.
Afinal, não é todo dia em que se completa tantos anos.
Com a memória toda cheia de sonhos a enfeitar os cabelos.
Mesmo eles assim, branquinhos, feito algodão doce...


domingo, 6 de abril de 2014

Estou Ariana!



Estou ariana, hoje!
Ouvindo uma MPB mais eufórica.
Estou ariana...
Toda cheia de ansiedade e impulsividade.
E sabe... Adoro estar assim!
Movida pela adrenalina da inconstância.
Pela loucura da aventura.
Pelo prazer alimentando minhas veias.
Sinto-me bem disposta
A qualquer aposta que me fizerem.
E que venham elas!
Sinto o pulsar do coração mais acelerado.
O correr sanguíneo mais abastecido.
Estou ariana!
De mochila nas costas e fone nos ouvidos.
De cabelo semi preso e blusa meia manga.
Tudo num meio a meio, para não enjoar.
Quando ariana, enjoo-me fácil, fácil das coisas.
Inconstancio à mesma medida que me encanto.
Perco o encanto, num fogo de palha.
Ao mesmo tempo em que lhe jogo no fogo.
E lhe faço queimar do fogo do inferno.
Seja lhe desejando o bem ou o mal.
Não poupo gesticulações e adjetivos para mostrar o que me representa.
Ora lhe prejudico, difamo.
Ora lhe elevo, ascendo.
Para tanto, basta apenas que escolha meu modo de tratamento.
Em dias de estar ariano, sou menos melancólica.
Prefiro os elogios todo explícitos ou demonstrações vivas do que me sente.
E não sinta, para ver!
Transformo sua vida no caos absoluto!
Daqueles de se arrepender amargamente pelo descuido.
Sou cheia dos brilhos a chamar a atenção.
Dos açúcares a adoçar os bigodes.
Da expansão momentânea.
Da saída do sério, quase ao mesmo tempo.
Estou sob a influência de Áries.
E há dias em que tal influência vale a pena.
Deixa minh’alma mais alegre e leve, leve.
Nos outros, fico navegando em águas piscianas.
Para variar um pouquinho.
Para baixar a adrenalina.
Para repensar as impulsividades dos tempos arianos, como agora...

                                                                                                                                                                        

Seja!



Vá!
Viva!
O tempo não espera por ninguém!
Hoje você é vida.
Amanhã, matéria morta.
Hoje o sorriso brota.
Amanhã, o cenho enrijece.
Vá!
Seja feliz!
Só há uma forma de sê-lo!
Tente!
A grande chance é de conseguir!
Vá!
Consiga!
Você foi feito para isso!
Para pular obstáculos relativamente significativos.
E porque você ainda tem medo?
O medo é parte integrante da alma humana.
Não obstante, não deve ser personagem principal.
Um coadjuvante, talvez.
Vá!
Saltite!
Feito a criança do vizinho.
Perca a vergonha da infantilidade.
Ser criança certas horas é bom para a alma.
Faz com que as rugas sumam gradativamente.
Sorria! Cantarole!
Perca os tons das notas.
Ou procure entoá-las cada vez melhor.
Só se aprende a entoar, cantando.
Então, cante!
Acorde os vizinhos!
Dê “bom dia” ao padeiro.
E lhe deseje um bom trabalho, também.
Trabalhe com paz na alma, sempre que possível.
As horas passam mais rápido quando se está em paz.
Transmita confiança!
Ser confiável é meio caminho andado no processo de socialização.
Mas, se um dia quiser silêncio, silencie.
O silêncio é prece.
É momento de você com você mesmo.
Diga que sente saudades.
As pessoas gostam de ouvir que são importantes.
Diga-as quanto às amam.
E o quanto seu sorriso é o quê todo especial do dia.
Faça alguém feliz por completo.
E complete-se com a felicidade alheia.
Complete sua escala de tarefas à medida que pode.
Sem aquela afobação dos tempos de juventude.
E sem o marasmo da velhice humana.
Viva cada dia como se o amanhã não houvesse.
Ele na verdade pode não haver.
Não sabemos até onde vai a linha do tempo de cada um.
Ela é incógnita a todo transeunte.
Ou a quase todo.
Excede-se os paranormais, em contato com o além.
Estes talvez tenham um pé no futuro.
Viva! Seja! Evolua!
Somos almas em busca do evoluir.
E só se evolui experienciando!
Só se experiencia indo ao chão, numa queda boba.
Ou dando aquele enorme salto ante do espelho.
Daqueles de se espantar com tamanha desenvoltura.
Experiencie... Exemplifique!
O mundo é feito de exemplos.
Traga em sua índole a consciência de um bom cidadão.
Afinal, fazer o bem aumenta nossos “tijolinhos” no céu...
Seja você!
Com seus defeitos quase que incorrigíveis.
E com suas qualidades quase que incomparáveis.
Seja o agora de alguém.
Seja a saudade, também.
Seja o futuro planejado de quem lhe quer bem.
Seja!
E depois, se sobrar tempo,
Conte para nós parte importante desse viver todo especial...