um pouco mais sobre mim...

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Casada, escritora, com a alma rodeada de perguntas... Amo meu marido, minha família e meus animais de estimação. Sou um pouco ansiosa, gosto de tudo o que faz bem. Amo escrever... Isso faz de mim elo com os sentimentos que me consomem e que vagam por entre as pessoas. Sou uma pessoa extremamente intuitiva, que adora ouvir música (extremamente seletiva quanto a isso), que ama escrever, que faz do amor sua fonte de energia vital... Sempre!

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

À Espera



Sai de um banho de espuma,
Com água quentinha  a fumacear-lhe  a pele.
Corpo coberto por óleo levemente perfumado
E cabelo semi preso, molhado.
Enrolada na toalha corre a atender ao telefone.
Está à espera desta ligação há dias.
Não quer demonstrar ansiedade.
Mas, ansiedade é seu sobrenome.
Atende toda sorridente.
Como se fosse possível enxergar seu sorriso do outro lado da linha.
Enquanto conversa, deixa cair a toalha branca,
Mostrando seu corpo a quem estiver por espiar.
Vive no quinto andar do Edifício D’Angelis,
Em virtude de uma herança inesperada.
Gosta de morar ali.
A conversa flui como confissão.
Procura convencer quem está ao telefone
O quão à espera se encontra.
E enquanto se maquia, despida,
Sorve um gole de vinho tinto suave.
Numa taça de cristal bojuda,
Acaricia a borda do vidro
Como se fosse outra coisa.
Sabe seduzir seu amante
Toda vez que ele lhe busca.
Está sempre à disposição.
Não é garota de programa.
Mas, entre quatro paredes diz tudo valer a pena.
Na pele, além do perfume, a camisa de cetim semiaberta,
Quase enlouquece quem olha.
De seios volumosos, unidos,
Escondendo entre o colo um crucifixo de prata.
Usa-o por acreditar em Deus.
À sua maneira, sem muita adoração.
Combina com o cetim um batom bordô e uma máscara de cílios.
Marca os olhos e os lábios, sem se preocupar com a moda.
Faz moda quase todo o tempo.
Por capricho de fazer.
Por fazer tão caprichado.
Conversa feito gente grande.
Embora não tenha mais que vinte anos.
Está à espera da promessa feita ao telefone.
Promessa de prazer regado ao luxo.
Muitas promessas feitas ao longo dos anos.
Realiza desejos, mas não sabe selecioná-los.
Diz não ter paciência para tal.
Olha no relógio, e são mais uns goles na taça.
Algumas carícias fortuitas,
Até que a chave gira na fechadura,
E a delícia de um amor de meio de tarde
Faz com que ela se perca entre êxtases e quero mais.
Mais detalhes?
Ah! Revelar demais tira o gostinho bom da espera...
Seu nome?
Aquele que você quiser chamá-la!...

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