um pouco mais sobre mim...

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Casada, escritora, com a alma rodeada de perguntas... Amo meu marido, minha família e meus animais de estimação. Sou um pouco ansiosa, gosto de tudo o que faz bem. Amo escrever... Isso faz de mim elo com os sentimentos que me consomem e que vagam por entre as pessoas. Sou uma pessoa extremamente intuitiva, que adora ouvir música (extremamente seletiva quanto a isso), que ama escrever, que faz do amor sua fonte de energia vital... Sempre!

sábado, 25 de maio de 2013

Lembrança




Descrever o Grande Canal
E as inúmeras pontes da cidade
É viajar a 1930.
As gôndolas e seus gondoleiros
Remam doce, ao sabor do vento.
Os barcos a motor são poucos.
E ostentam os filhos abastados
Das famílias menos tradicionais.
As vielas, as sacadas antigas
Adornadas com flores pequeninas
Quase denotam uma grande tristeza.
As “portinhas”, dos comércios,
Expõem as máscaras imponentes.
Tão ousadas, cheias de requinte.
Fazem par com fantasias
Bordadas a fios de ouro.
Os nobres usam
Para esconder o desejo da realeza.
Os plebeus admiram,
Tentando decifrar a face por baixo da máscara.
As anáguas em tom pastel
Contrastam com o rosa-amor
Do amor de juventude.
Tão doce para os poucos anos vividos.
Tão impróprios para os olhos do pai.
À custa do amargo
O espartilho suga o ar.
Suga o desejo da felicidade.
O som do violino, à noitinha,
Embala o luar dos amantes.
Tortura os pensamentos impossíveis.
As cortinas grandes e pesadas
Escondem o anseio em criar asas, alçar voo.
Aos poucos, o que se vê
É o coração petrificado
E a descrença na justiça.
A justiça dos homens é oportuna!
Só justifica que pode.
Quem joga tostões à mesa,
Em troca do que deseja possuir.
As cartas, raras,
Deixam nas mãos o suave perfume amadeirado.
Fruto doa anos.
Submersas em caixotes de carvalho ou imbuia.
Os brincos de pérolas
Estão tão amarelados quanto o desejo de sorrir.
Os minuetos, nos grandes salões,
Pouco importam.
Os rodopios vão ficando sem brilho.
Os vestidos de festa, com tom de algodão cru.
Devagar, as pérolas do colar
Arrebentam-se, rolando uma a uma.
Pela escada com degraus de mármore e veludo.
Já não há querer que sobreviva.
Já não há violino que soe doce.
Já não gondoleiro que encante.
Nem corset que não aperte a alma.
Que não sufoque por dentro e por fora.
As madeixas longas e ao lado,
Presas com presilha de ouro e pedras,
Pouco enfeita os pensamentos.
Pouco adorna os sentimentos.
Pouco encanta quem quer que olhe.
Já não há interesse maior
Já não há nada mais que respiro...
Que suspiro triste
O amor além das águas.
É nelas em que me afogo.
É nelas em que busco o elo perdido.
É nelas em que deixo a pele, os cabelos
E alço voo.
Rumo ao que sempre busquei.
Rumo às lembranças doces
Postas aqui; agora, no papel.
São elas, as lembranças,
Que brotam dia e noite
Em especial quando o violino toca.
Quando a melodia entoa canções de amargar os olhos.
E agora, nessa vida,
O amor tão desejado
Segue todo amarrado
Mas sem sufocar ou amargar.
Segue doce, agradável.
E não há tostão algum
Que possa comprar
O que de mais precioso
O homem possui dentro d’alma.

2 comentários:

  1. Como e bom poder viajar nessas linhas,as riquezas de detalhes.o perfume,os olhares,tudo tao intenso e magico,como se alma se transportasse a esse lugar!
    Que lindos momentos!
    Meire Morales.

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    1. Tudo muito vivo na memória, minha linda amiga do céu!!! Muito!!!

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