um pouco mais sobre mim...

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Casada, escritora, com a alma rodeada de perguntas... Amo meu marido, minha família e meus animais de estimação. Sou um pouco ansiosa, gosto de tudo o que faz bem. Amo escrever... Isso faz de mim elo com os sentimentos que me consomem e que vagam por entre as pessoas. Sou uma pessoa extremamente intuitiva, que adora ouvir música (extremamente seletiva quanto a isso), que ama escrever, que faz do amor sua fonte de energia vital... Sempre!

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Dizeres



Se um dia eu conseguir lhe dizer
Tudo o que me representa,
Pode ter certeza que estarei feliz.
Contudo, duvido de tal felicidade.
Duvido muito, se quer saber.
Duvido, pelo simples fato de duvidar.
Pelo simples ato de falta de coragem.
Covardia.
Não sou adepta assídua de tal defeito.
Entretanto, para tanto faço uso.
Uso-o com total quantidade.
Numa qualidade que não se deveria qualificar.
Uso dela como desculpa.
Como não culpar-me de um quê mal dito.
E por ensaiar tantos dizeres,
Vejo que no fundo, bem lá no fundo,
Não há encontro vocálico, consonantal ou dígrafo
Que se forme como argumentação.
Justo eu!
Que tanto sei argumentar ao meu favor...
Sinceramente, vejo-me voltando à idade pequenina.
Aquela, de menina, toda trabalhada na educação tradicional.
Onde pais eram seres superiores, quase deuses.
E os filhos, seus subalternos.
Para falar bem a verdade, subalterno não seria a palavra.
Seria apenas uma representação peculiar.
E de peculiaridade entendo bem.
Com tantas já vistas e vividas...
Posso me considerar uma quase mestra
Na arte de exclusividades.
Todavia, mesmo com toda argumentativa na ponta da língua,
Olho no espelho e vejo uma criança.
Encolhida debaixo das cobertas, com ou sem frio.
Tentando escapar do medo de falar-lhe.
De mencionar um vocábulo que seja fora do agrado.
A lembrança é perceptível.
Em especial nas datas todas especiais.
Que no final eram apenas datas.
E a especialidade ia passando...
Se um dia eu conseguir lhe abrir meu coração
Saiba que ficarei mais aliviada.
Por ter conseguido dizer, gesticular, emanar!
Porém, se minha covardia ainda me pesar,
Saiba apenas do meu amor.
Simples e sincero.
Pequenino, como a palma da mão.
Gigantesco, como a forma abstrata de demonstrá-lo.
E se não conseguir senti-lo aí, em seu peito...
Saiba também que o tempo me ensinou
A amar solitária e caladamente.
E essa tem sido minha melhor especialidade

Desde que a menina aprendeu a dar passos...

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