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Casada, escritora, com a alma rodeada de perguntas... Amo escrever... Sou alguém que coloca o coração em tudo o que faz... Que dá o seu melhor... E que ama traduzir sentimentos!

domingo, 3 de junho de 2012

Viver Perfumado




Escrevo por querer colorir
Com pequeninas pinceladas
Cada pedaço de gente
Que cruze meu caminho.

Faço prosas e versos.
Uso letras enfeitadas
Somente para renovar
A forma de eu ver o mundo.

Busco anjos de asas abertas
E quase os encontro!
Invoco os mais diferentes deuses
Por crer que o caminho no final seja o mesmo.

Encho meus pulmões
Com a brisa da manhã
E também com a ventania revolta em noites de tempestade.

Inspiro-me de contos e purpurinas.
Isso me faz ver com olhos mais coloridos.

Afago o pequenino cão da rua
Por sentir em seu semblante
Que isso lhe fará toda a diferença.

Beijo a doce criança
Que vem me dar bom dia, pela manhã.
E isso sem dúvida me eleva, enquanto humana.

Carrego no peito o amor.
Tão puro em sua essência.
Tão majestoso em sua grandeza.

Procuro sorrir com frequência.
Mas nem sempre os sorrisos
Procuram se dar aos outros com tanta facilidade.

Por vezes, saltito.
Noutras, cubro meu rosto
Com um rubor infantil.

Quando da felicidade
Encontro nos versos
A singeleza do belo.

Quando dos picos depressivos
Quero colo, um cafuné.
Ou mesmo desligar meu celular
Apagar a luz, cobrir os pés gelados
E apenas ouvir a suave melodia
Que ecoa pelas ondas do rádio,
No meio da madrugada.

Faço d'alma recanto do bem.
Faço dos sonhos doces lembranças.
Faço dos poros a essência do amor.
E acabo assim, poetando
Esperando nos anjos
cada sopro e segundo
De um viver perfumado...

Há dias...





O tempo tem seus labirintos
E assim os usa para nossa loucura...
Nos insiste em lembrar
De momentos que queremos esquecer,
E nos faz esquecer
Das doces lembranças.

Há momentos em que a alma busca um colo enorme.
E hoje é um desses dias.
Ando em picos depressivos
E isso me torna impossível.

O pranto bate na garganta
E volta, rebelde, à boca do estômago...
Busca sair, vazar
Mas vai e volta,
Escorrendo, afogado, à noitinha
No travesseiro amigo.

Há dias em que qualquer palavra,
Se dita ao contrário,
Nos faz querer voltar para a cama.
Apagar as luzes.
Cobrir as orelhas.
Desligar o celular.
E esperar a tormenta ir embora.

Somos insanos.
Somos ao avesso.
Uma inversão tamanha
Que nos torna bobos, por vezes.

Somos crianças birrentas.
Adolescentes à beira de um ataque.
Adultos sem querermos sê-los!

Quantas responsabilidades nos rondam
E nem mesmo as queremos para nós...

Temos que nos comportar adequado
Mostrar uma felicidade que nem sempre nos acompanha.
Expor sorrisos brancos e falsificados,
Quando realmente queremos mostrar a sinceridade
De um meio sorriso amarelado pelas tormentas da vida.

Devemos ser imunes a setas e provocações.
Afinal, ligar nos pré-condena culpados,
Mesmo que não saibamos do que se trata.

Contudo, uma pergunta ecoa incessante por cada neurônio:
Qual a receita?
Como fazemos para estarmos felizes, a todo momento?

Há que diga
Que devemos viver em oração.
Não obstante, quanto mais vejo rezas
Menos creio no poder da cura.
Outros nos querem fazer crer
Que devemos “fazer o jogo”, “entrar na dança”.
Mas chega uma hora
Em que o jogar torna-se maçante
Algo que irrita e nos tira o prazer
Nos deixando cada vez mais loucos.

Uma loucura que expande-se
Em dias como hoje,
Onde o sol se esconde, tímido, atrás das nuvens.
E o vento sopra bravo
Como que não querendo responder
Qualquer pergunta que seja!

Há dias em que o melhor a ser feito
É puxar o cobertor
E fechar os olhos.
Em busca de sonhos
Que nos elevem, enquanto seres pensantes.
Que nos façam abrir um sorriso
Em meio a tantas lágrimas já derrubadas...

Talvez seja esse um dos ingredientes
Da tão sonhada paz de espírito...

RIDÍCULO




     Há dias em que a alma, perdida, busca respostas para as dores que sente. E nessas horas pode-se ter noção do quão pequeninos são os sentimentos.
     Viajam entre as células, pelas veias, e ora buscam morada no coração,ora acabam por querer sair do corpo, pois a estadia já não é mais tão agradável.
      E então ficamos tão confusos quanto do ato de abrir os olhos, após um sonho quase que real.         Buscamos as respostas que melhor se adequem. Que se ajustem Às necessidades que cada poro nosso necessita.
     E em meio a tantas perguntas com respostas nada concretas, criamos a utopia do viver em harmonia.
    Algo irreal, pois carregamos n'alma a loucura, envolta por leve camada de chocolate. Por vezes, a lambemos com uma ferocidade tamanha. E nem sequer percebemos que a fina camada doce esvai-se, nos deixando tão expostos aos olhos alheios...
     Paramos e pensamos nas estratégias de manter os sorrisos alheios. Contudo, nos esquecemos de ativar os sorrisos que possuímos.
   Vivemos à espera da bondade alheia. Mas, a cada esquina, somos deixados para trás em pequeninos pedaços.
    E acabamos perdidos, à mercê de olhares que nos julgam, sem nem sequer se disporem a perceber que, dentro de nós, o bem-querer já buscou outra morada, porque o sentimento ofertado já não mais nos fazia bem.
  Vivemos tendo que mostrar os dentes em sorrisos, mesmo quando os queremos mostrar semicerrados. E ficamos cada vez mais confusos, sem saber se seguimos o habitual, ou se realmente buscamos nossos próprios gostos, nossas próprias convicções.
     Isso é ridículo!...

sábado, 2 de junho de 2012

Vivo...





Vivo de lembranças.
As boas me elevam.
As más me afogam a alma.
Vivo de sonhos e pesadelos.
Ora me enfeitando o coração,
Ora me atormentando os pensamentos, madrugada afora.
Carrego na alma os sabores e dissabores da vida.
Cada qual recheado por purpurinas ou vespas,
Confundindo-me enquanto ser pensante.
Vivo aos poucos...
Num misto eterno de bem e mal,
Do correto e do profano,
Do eterno e do daqui a pouco.
Uma miscelânea toda
Que faz da vida arte dos mistérios.
Todos enredados através do ato de inspirar-se.
Seja por um belo sorriso,
Ganho depois de um longo dia.
Seja por uma doce lembrança
Guardada no fundo do coração
Para futuros sorrisos contidos,
Escondidos do mundo, madrugada adentro...

domingo, 27 de maio de 2012

A Colcha



Trago em minh'alma
Os mais belos sonhos.
Aqueles que nos surpreendem
Com um suave sorriso nos lábios
Ao abrirmos os olhos.

Trago os mais doces perfumes.
Eles permanecem nas cartas,
Nas lembranças e nos poros
Mesmo após longo período de abstinência.

Trago as mais belas flores entre os dedos.
Elas enfeitam a vida
E também perfumam o vento
Caso o suave perfume dos poros
Esteja inebriado pelo suor do êxtase,
Após uma bela noite de amor...

Trago sorrisos a enfeitar o rosto.
Trago lágrimas, também.
Elas lavam não só os olhos
Mas cada lembrança tristonha
Que nos ronda os pensares.

Saltito como criança de seis anos.
Ora esqueço das responsabilidades
E deixo-me curtir o momento.
Ora volto à vida adulta
E contenho meus olhares
Mais brilhantes, sem pudores.

Carrego no peito
A doçura do amor.
Algo tão doce
Quanto um doce algodão
Todo colorido, de festa infantil.

Busco no bem
A essência de cada momento
Seja ele recheado por bolos caramelados e prosas longas,
Seja envolto por um copo com água e açúcar
E infindos momentos de reflexão solitária
Algo que só se faz quando
Perdemos as forças
Não mais encontrando o caminho das flores.
Somente sentindo os espinhos
A nos espetar as palmas das mãos.

Caminho ao som de músicas.
Melodias a penetrar
Não só nos ouvidos
Mas nas mais sutis fibras d'alma.
Ouvi-las me faz reinventar momentos
Compartilhar com o vento
Pequeninos pedaços de felicidade.


Navego por águas sem fim.
Por vezes, as vejo sujas, embarreadas.
Noutras, tão límpidas
Que chego a baixar as mãos
E bebê-las, sem medo algum.

Ora anjo, ora demônio.
Ora com uma santidade infinda.
Noutras, envolta no profano, no libidinoso.

Uma miscelânea sem fim
Que faz dos meus sonhos
Retalhos multicoloridos
Da enorme colcha
Denominada viver.

Uma colcha que encobre.
Esfria num primeiro instante.
Porém, esquenta tanto
Que quase chega a fervilhar
Os pensamentos.
Desconectando-os, por fim
E assim nos fazendo
Circundar permeios
Rumo ao que consideramos
O belo, o eterno
E o perfumado.
Mesmo que os demais transeuntes
Não sintam o mesmo perfume
Ao inspirarem-se para a vida...



sábado, 26 de maio de 2012

O Casório





É noite de festa!
E todos estão à espera
Da grande quadrilha...
Ao longe, na panela,
O som do “pic-poc”
Vai enchendo de alegria
O sanfoneiro,
Que todo festeiro,
Chama de “dona moça”
A vovó do padre
Que casa, lá embaixo,
O bêbado e a bigoduda!
Acendem-se as luzes
E ao som da sanfona e do triângulo
A zabumba entoa canções
De requebrar o esqueleto...
É noite de festa.
Noite de pôr o vestido rendado.
De enfeitar os cabelos com laço de fita.
Costurar a camisa de missa
Só para chamegar
A dona mais bonita
Do Arraiá de Santo Antonio
Santo bom, casamenteiro,
Tão alegre, prisioneiro
Das madames encalhadas
Que com suas gargalhadas
O afogam em copo d’água
Só por causa de marido.
E agora aqui comigo
Deixo as prosas e os versos
Troco as roupas e os chinelos
E vou-me embora lá para o terreiro
Ver se o pobre sanfoneiro
Todo bom de bico
Não faz siricutico
Quando dança com a vovó
E ver se o bom padre
Realiza com vontade
Esse casório da Filó
Que já segue encalhada
Só porque vive descuidada
Lá na Rua do Cipó.
Mas agora vai se casar
E o noivo, meio “alegre”
Há de endireitar.
Nem que seja para ela
Colocar uma fivela
No litro de água ardente
E deixar um chocolate quente
À espera de seu amado
Que segue todo apaixonado, todo feliz...
E assim os fogos estouram no céu.
Venham... Venham todos!
Que já já tudo termina
E a vovó Felisbina
Vai com o sanfoneiro
Lá para a “Casa do Chapéu”,
Toda faceira, toda manhosa,
Encantada com a rosa
Que ganhou do Beleléu.
E assim segue a dança
Toda cheia de festança
Na noite de Santo Antonio...
É festa junina, minha gente!

domingo, 29 de abril de 2012

Renascimento



Renascemos todos os dias... nos
 reinventando em prol de algo que nos tire a dor... que nos faça expor um 
sorriso, um meio sorriso que seja... Buscamos espelhos, mas o que encontramos são poças d'água no caminho, onde vemos através do turvo, onde ao batermos as mãos, tudo muda de fisionomia... e a imagem já não é mais a mesma...