Não gosto do raiar do dia.
Fico sem inspiração.
O clarear da manhã, ao contrário da maioria, me entristece.
É um começar tudo de novo.
Um alvoroçar a alma, pelo barulho todo.
E eu sou amante do silêncio.
Da voz baixinha, do som no volume mínimo.
Para ser apreciado, suavemente.
O brotar dos raios do sol no horizonte empalidecem meu
sonhar.
E eu sou toda sonhos.
Sou da imaginação navegante.
E navegar de dia definitivamente é sem graça!
Não há aquele brilho todo das estrelas a guiar o caminho dos
sonhos.
Amo o fim do dia, a noite toda!
O findar de mais uma etapa...
O descanso do corpo exausto.
O fechar dos olhos, de lado, na cama.
A eterna viagem astral que a alma dá.
Sou amante das letras.
E minhas melhores intitulações se fizeram no meio da
madrugada.
Em especial, com um cobertor cobrindo as pernas.
E um copo de leite gelado puro, ao lado, na escrivaninha.
Amo as músicas da madrugada.
Suaves, acalmam o coração em dias de aflição.
Fazem curativo nas feridas mal cicatrizadas.
Fazem companhia em noites de solidão.
Depressiva ou por falta de um alguém.
A noite, o findar do dia fazem um bem danado!
Revigoram e reestruturam qualquer restinho de viver.
Esmigalhado pelas horas do dia.
Pelo menos é o que eu acho, o que eu vejo.
Sinto a leveza abraçada à loucura
Toda vez que a lua vem bailar arredondada no céu.
E isso é especial.
É anormal para a maioria.
É altamente fascinante.
Para mim.
Para quem, como eu, prefere o breu da rua gelada, em
compridas noites de inverno.