um pouco mais sobre mim...

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Casada, escritora, com a alma rodeada de perguntas... Amo meu marido, minha família e meus animais de estimação. Sou um pouco ansiosa, gosto de tudo o que faz bem. Amo escrever... Isso faz de mim elo com os sentimentos que me consomem e que vagam por entre as pessoas. Sou uma pessoa extremamente intuitiva, que adora ouvir música (extremamente seletiva quanto a isso), que ama escrever, que faz do amor sua fonte de energia vital... Sempre!

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Simples Viver



Venho de vida simples.
Com chão de terra batida
E sonhos alicerçados em pau a pique.
Das modernidades quase não entendo.
Mas, me pergunte uma reza, uma cura,
E eu lhe mostro minhas sabedorias.
Dos meus mais de setenta e tantos anos
Guardo, além das rugas, o pouco que a vida me ensinou.
Aprendi na marra, com garra...
E nem pestanejar eu pude.
Não me foi permitido fraquejar.
E talvez seja por isso que posso me olhar
No caco de espelho pendurado atrás da porta simples.
De simplicidade fez-se meu viver.
Uma delicadeza de entendimentos
Que pouco necessitava de maiores entenderes.
Bastava um olhar diferente,
E lá estava eu a compreender tudinho!
Trago no espírito a poeira das vidas.
Todas impregnadas nos poros.
Por vezes, me encarno nelas.
Noutras, os banhos de rio me lavam por completo.
E de alma lavada é possível enxergar o mundo.
Com toda a simplicidade necessária
Sem firulas, sem fissuras ou brechas.
Sem os adereços purpurinados que só confundem,
E não enfeitam nada!
E de enfeites só o altar lá de casa!
Tão simples nos adereços.
Tão fielmente devotado, todos os dias.
Antes de ir à lida, na madrugada,
Acendo a vela pequenina.
Pedindo à Mãe Divina toda a proteção.
E proteção nunca é demais!
Ajuda a erguer a cabeça
Em dias de amargar os olhos.
Venho de vida simples.
Com chão de terra batida.
E coração um pouco batido, também.
Pelas poeiras do tempo.
Pelas amarguras do vento.
Pelas consolações e desolamentos
Que a vida insiste em ofertar, quando raia o dia.
Venho de vida simples.
Quase uma pintura pitoresca de obra de arte.
Daquelas de se estampar paredes de alvenaria branca
Com sofá macio e imponente a sentar.
Coisa que não sei bem o que é.
Aqui só a cadeira de balanço velha
E o rádio a pilha, a postos,
Para as modas de viola
E as rezas de Ave-Maria.
A vida se fez assim.
E posso dizer a você, meu jovem,
Que não a trocaria por riqueza nenhuma.
Porque riqueza não se compra nas Casas Bahia.
Conquista-se com o lutar d’alma.
Matando um leão por dia.
E fazendo dele tapete da sala.
Seja de rico, para ostentar.
Seja de pobre, para baixar a poeira.
Então, conquiste a sua.
E só depois ecoe a tão sonhada felicidade
Que se faz almejar em seus sonhos todos.
Conquiste-a.
Antes que você perca os dentes e os sonhos.
Antes que se esqueça do modo mais simples
Para caminhar de pés descalços.
Sem feri-los com as pedras do caminho.
Conquiste-a.
Ou então só lhes restarão as rezas e a cadeira de balanço.
A confortar-lhe a alma.
Apenas isso.
E nada mais...

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