um pouco mais sobre mim...

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Casada, escritora, com a alma rodeada de perguntas... Amo meu marido, minha família e meus animais de estimação. Sou um pouco ansiosa, gosto de tudo o que faz bem. Amo escrever... Isso faz de mim elo com os sentimentos que me consomem e que vagam por entre as pessoas. Sou uma pessoa extremamente intuitiva, que adora ouvir música (extremamente seletiva quanto a isso), que ama escrever, que faz do amor sua fonte de energia vital... Sempre!

domingo, 24 de agosto de 2014

Sopa de Almas



Há almas em quase todo canto.
Umas boas, outras nem tanto.
Umas alegres, outras tristonhas.
Por algum motivo aparente ou não.
Umas perturbam só um pouquinho.
Outras para uma vida inteira.
E nem sempre há aquela paciência toda.
Em especial, em dia de tensão pré-menstrual.
Aqueles dias terríveis e intermináveis.
Onde qualquer folha vira Zé do Caixão.
São nesses dias em que eles aparecem.
Todos em suas órbitas, suas carcaças velhas.
A assombrar quem quer que seja.
Estão escondidos debaixo da cama, dos sonhos,
Prontos a penetrar no sono, deixando-nos completamente insones.
Insones em noites de inverno,
Onde o caminhar das horas é mais lento.
E o balançar dos galhos nas vidraças mais assustador.
Feito múmias alegretes.
Ou com caretas de arrepiar as pestanas.
Gostam de variar o humor.
Por inúmeros motivos.
Indecifráveis para quem já se foi.
Ou nem foi, ainda.
Vivemos numa sopa de almas.
Todas postas num caldeirão gigante a fervilhar, pegar sabor.
Há sabores que são pegos.
Outros nem com reza brava.
Nem com mandinga de bruxa,
Com guisado de pernas de aranha e asas de morcego.
Há na verdade almas que não dão sopa.
Quando jogadas n’água, o guizado encrua.
Deve ser a dosagem dos ingredientes?
Talvez.
Ou pior.
Talvez a qualidade d’alma posta em fervura não seja das melhores.
Em vida, na morte, além dela.
Dizem que o mundo é um misto de céu e inferno.
Creio que estejamos aprendendo a oscilar entre o quente e o gélido.
Para que nos acostumemos quando chegar a vez
De mergulhar no enorme caldeirão das almas ensopadas.
Há almas em quase todo canto.
Num tanto ou além dele.
Desastrosas ou orientadas.
São tantas a perder as contas.
A perder as paciências.
A perder a vontade de ficar à espera delas.
Há almas por todo canto.
E neste momento as sinto.
Umas me atingem, outras não.
Umas brincam, outras fecham o semblante.
Coisa de característica.
Coisa de quem já sobra tempo na vida.
Ou na morte.
Coisa de sopa d’alma.
A fervilhar-nos, ora mais cedo...

Ora na hora certa de fazer “tchibum”...

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