Roo as unhas, para não roer o doce.
Ato de desespero.
De quem tem saudade de si, dos outros, dos tempos vívidos.
A cabeça fervilha, às duas e quarenta e sete.
O tic-tac do relógio ecoa na confusão.
O corpo pede colo.
A alma pede afago.
A cabeça, sossego.
Todavia,a audição aguçada ouve os passos de algum doido...
Lá fora, caminhando e falando ao celular.
Conversa sem sentido, inaudível.
Como aqui, na bagunça de mim.
Assim, sem querer que as horas andem...
Observando silêncio do mundo
E o barulho de mim mesmo...
Fecho os olhos.
E espero a sensação do pesadelo ir embora.
A água que afoga, toda noite.
Os passeios do espírito por caminhos desconhecidos...
Como se eu conhecesse de outras vidas!
Conversas, pessoas, sensações mais aprofundadas.
Galgadas no meio das orações de súplica.
Reza de mãos postas...
As mesmas mãos com as unhas roídas.
Onicofagia.
A autoflagelação por ser imperfeita.
A tentativa de punição por não saber ao certo
O melhor caminho para o céu.
Ao léu, sem norte.
Buscando uma sorte que parece escondida...
Na gruta mais difícil de chegar.
Na caverna mais escura e solitária.
Os morcegos batem as asas, sem enxergar quem adentra.
E eu, com medo, protejo a jugular dos ataques.
Proteção externa.
Sofrimento interno.
Numa cobrança diária pela aceitação
Que, de antemão, me causa ansiedade.
Maldade esse mundo ser tão excessivo...
E quem paga as contas só não guarda o troco
Porque moedas não são aceitas no autoatendimento.
É preciso converter as moedas das lágrimas
Em notas de boa aventurança.
Para só depois depositar os valores e princípios,
Garantindo mais um tijolinho no céu...
Construção civil demorada essa...
Só acho!


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