Dia chuvoso. Bom para uma aventura. No ar condicionado, suando em bicas.
Cheguei de viagem tem dois dias. E ela já está com aquela cara de pouca conversa. Como sempre! Isso me cansa.
Desde que eu aprendi a vê-la com olhos de homem, deixei de prestar atenção aos detalhes rodados da relação.
Chego em casa e quero relaxar. E me aliviar também. Cobro minha meia hora diária de prazer. E o restante, busco fora de casa.
Como hoje. Num encontro de escritório. Com uma morena de parar o trânsito.
Enfiada num terninho de saia e blazer. Cinza chumbo. Um sapato de salto alto e bico fino. Uma meia calça e um brinco de penduricalhos. Bem perua chique.
Meia-idade. Uns quarenta e pouco. Cabelos crespos presos num coque alto bagunçado. Olhar negro feito a noite. Sombria feito gata de rua. Disfarçada de executiva.
Reunião de última hora. Na hora do almoço. Eu, faminto. Vontade de comer algo diferente do trivial. E hoje sinto que vou me escaldar!
Chega às onze e meia. Pontualmente. Senta, cruza as pernas e estende a mão. Eu levanto, olho e fiscalizo. Como homem educado, cumprimento. Com olhar de análise sintática. Falo um pouco sobre o assunto agendado. Combino estratégias. Suponho táticas.
Mas, estou com muita fome. Quero comer. Então proponho um almoço no meu restaurante favorito. E ela aceita. Vamos no meu carro. Para facilitar o trajeto. Seu carro permanece no estacionamento.
Entramos no meu carro. Ajeito o retrovisor. Borrifo própolis na garganta. E coloco o cinto. Ela senta ao lado. Afivela o cinto e coloca a bolsa no colo.
Dou aquela respirada. O perfume está em dia. Gostoso de sentir. Algo doce, mas marcante. Sem ser enjoativo.
Ela percebe. E parece gostar, esboçando um sorriso de canto de boca. E que boca! Carnuda! Num batom vermelho pimenta. Cremoso. Como se tivesse sangue em seus lábios.
Dei partida, girando a chave. E outra chave girou dentro de mim. E se eu parasse em frente ao motel mais luxuoso da região, só para ver sua reação?
Confesso que estava com fome. Mas,poderia saciá-la de outra forma. Comendo outra coisa que não fosse um salmão com ervas finas e azeite.
O caminho era rápido. E em doze minutos eu passei pelo letreiro escrito Hórus Motel: onde seu prazer tem encontro marcado conosco!
Olhei para ela. E não disse nada além de um: que tal? E foi ali que tudo começou... Ela estava com um fio dental uva. Quase desaparecendo em meio às bandas... Aquilo foi a deixa.
Um sutiã só com aro e renda. Sem bojo. Apenas uma rendinha fininha cobrindo seus peitos. E uma aréola saliente. Pontuda. Sortuda em minhas mãos.
Ordenhei. Enchia as mãos e a boca. Com certeza, era uma das melhores holandesas que já provara.
Eu, touro de fazenda... Logo quis montar naquilo tudo. E como montei! Sem dó do peso. Sem me preocupar com nada além da monta.
Montei bonito. E mostrei o porquê gosto de ares agrícolas, vez ou outra. Não podia perder a chance de ter mais uma das melhores holandesas em meu rebanho.
Num banho de leite, de esperma, de cores. Com pelos e peles à mostra. Gastando quarenta e cinco minutos do almoço. Numa rápida passagem pelo Hórus.
Monta, cerveja, balinha de menta. Pimenta e leitinho quentinho. Mamadeira cheia daquele sabor picante de prazer. Boca na boca. Pele na pele. Penetrando na cavidade peluda. Boazuda. Bocuda!
Era tão grande cada detalhe... Que dava tá saborear com a boca cheia... E pedir mais!
Capaz que eu ainda ficasse mais um tempo ali. Só que estava na hora de comer algo mais gastronômico. A sobremesa eu já havia devorado com colher de sopa!
Roupa colocada. Reunião no segundo tempo. Bem mais produtiva. Bem mais saborosa. Depois do almoço. Da comida. Da sobremesa. O pudim batido com ovos e leite condensado estava delicioso!
Talvez eu prove mais um pouco, depois do expediente. No Hórus. Ou no Haras, com uma potranca de respeito! Tem base, não!


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