Manhã bonita.
Céu da cor dos meus olhos, azuis.
Perfume de rosas vermelhas.
Uma brisa boa na janela, da sacada.
Décimo segundo andar.
E eu observo lá embaixo a vida acelerada.
Aqui, uma camisa de algodão e abotoaduras de madre pérola.
Um colar de ouro tipo gargantilha.
Com pingente de árvore da vida.
E uma vida bastante agitada.
Cheia de mimos, mensagens e esperas.
Um trabalho formal.
E uma renda extra, madrugada adentro.
Gosto de variar o cardápio, às vezes.
Indo de uma saladinha com limão e sal
A um banquete com morangos e chantilly.
Regados a um bom espumante francês.
Uma balinha de doce de leite no canto da boca.
É um sabor agridoce para complementar o paladar.
Achar que eu vou te devorar?
Talvez.
Tudo depende da minha insanidade.
Posso ser boa moça ou perversa ao extremo.
O que denota a escolha é a intensidade.
Sou intensa.
Cheia de manias bobas e coragens absurdas.
Sou do fazer, do querer e do agora!
Chora quem pode.
Obedece quem me satisfaz!
Capaz mesmo que seja um ou outro
A cruzar a linha de chegada
No quesito satisfação!
Paixão? Não tenho!
Não cultivo sentimentos por ninguém, além do Boris.
Meu felino siamês de olhos também azuis.
Mia ele, mio eu.
Um ronronar de gata no cio, manhosa.
Uma ferocidade que se transforma ao apagar das luzes da sala.
Gosto de estimular minha criatividade e imaginação.
E, por vezes, o beiral da sacada se faz testemunha
Da estripulia da nudez.
Ou semi despir do corpo.
Deixando à mostra parte do que eu ofereço.
Sou das vontades.
Das maldades.
Das notas postas sobre a mesinha de centro,
Antes do bater da porta.
Não me despeço.
Odeio despedidas.
Sussurro um breve balbucio, instigando o retorno.
O cartão de visitas tem algo que convida por si só.
Dentes vampirescos.
E uma boca com batom vermelho.
O telefone e duas gotas do meu perfume favorito.
Acredito ser o suficiente.
Há cliente toda noite.
Porque durante o dia,
O caos da vida adulta impede o prazer.
Fazer o quê, não é mesmo?
Nem tudo acaba sendo como deveria.
Só queria que fosse!
Afinal, quem não gosta de saborear o bom da vida?
Sabores e sensações: prazeres inenarráveis!







