Senta aqui. Observa. São três da manhã e o sono ainda não veio. Os remédios já não fazem mais efeito. São como bala de goma colorida...
Dezenove por doze. O medidor mostra hipertensão severa. Sem sintomas. Apenas olhos arregalados e um pouco de fadiga. Nada mais. Talvez pela insônia.
A água já está quente. Há bolinhas na garrafa. Até bonito de observar. O sabor fica estranho. Mas, a gente bebe mesmo assim.
Daqui a pouco o despertador toca. E o dia que era pra ter começado, sequer terminou de ontem. As mesmas sequências de fatos. Nada muda.
A rotina está no modo automático. Faz-se tudo igual. Porque a brisa é a mesma. Levemente fria. Por dentro.
Os comprimidos são vários. Todos seguidos à risca. Para não haver reclamação de atrasos. O estômago já não grita mais seu pedido de socorro. Habituou-se a latejar.
Assim como o restante do corpo. Dando sinais de que nem tudo caminha no ajuste. E, nem sempre é ouvido.
Aos poucos o corpo demonstra precisar de algo. Uma dose maior de miligramas por causa dos efeitos não reagidos. É assim que funciona, todos os dias.
O vento aumenta. A temperatura corporal desce. O frio se instala. Coisa pouca. Mas, no fundo, as extremidades estão pedindo um cobertor.
No rádio, um canto gregoriano ecoa as notas mais melódicas. Sentidas a cada acorde, nas mais profundas raízes d’alma.
Um torpor. Uma leve vertigem. Talvez pela oscilação arterial. Nada demais. A vida segue arrastando as horas. Em pouco tempo o Sol raia.
Somente o Sol brilha. Como se a serração neblinasse qualquer outro brilho que não seja do astro-rei. Já é dia e ainda há muito pela frente.
Um leite. Um pedaço de pão com manteiga. Uma gelatina de cereja. E as roupas já estão postas sobre a cama, esperando suas rotinas diárias.
O céu está azul, sem chuva. Sem ventos fortes. Está convidativo a um sorvete de casquinha, mais tarde. Talvez no findar do expediente.
Por hora, um pouco de introspecção e reflexão sobre a vida. Assim, caminha a humanidade. Dia após dia, lutando contra o mundo, salvando o próprio pedaço de chão, construindo seus sonhos em meios aos escombros literários.
Conversa de escritor nem sempre se entende. Apenas, sente! Simples assim...


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